

PODCAST
O Olhar da Coruja
Como criamos um negócio de SUCESSO sem o DIVÓRCIO com Paulo Faustino | EP 1
Negócios
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Episódio 1
Sobre o episódio
Este é o primeiro episódio do Olhar da Coruja. E o primeiro convidado é o Paulo Faustino: co-fundador do grupo de empresas que lideramos juntos, referência no marketing, gestão e vendas em Portugal, mentor, formador e autor. E também é a pessoa que partilha a vida comigo. Falámos sobre quem é o Paulo Faustino por trás da imagem pública, sobre como a definição de sucesso muda quando o dinheiro deixa de ser um problema, sobre a pressão como privilégio, sobre a semana em que quase fez tilt, e sobre o maior sacrifício que ele nunca considerou sacrifício.
Quem é o Paulo Faustino (a versão que ele nunca contou)
Perguntei-lhe quem ele é. Parece simples. Não é. O Paulo é uma pessoa sonhadora, obstinada, extremamente competitiva, que usa essa competição e essa capacidade de trabalho para tentar receber atenção e reconhecimento que possivelmente não teve noutras fases da vida. Ele próprio disse isto. Está quase a chegar aos 40 e tem reflectido bastante sobre as origens do que o move.
Desde que se conhece, tem em si um desejo de ser bem-sucedido. Mas esse desejo não nasceu da ambição. Nasceu da falta. Da falta de atenção, de reconhecimento, de visibilidade. E tudo o que construiu, consciente ou inconscientemente, foi uma resposta a isso. Quando ele reconhece isto em voz alta, num podcast, é das coisas mais corajosas que eu já o vi fazer. Porque o Paulo que as pessoas vêem é o austero, o rigoroso, o assertivo. O que eu conheço é também o que gosta de beber garrafas de vinho branco com amigos em casa, que adora os cinco gatos e as duas cadelas, que começa puzzles e nunca os acaba, e que passa tempo na "caixa do nada", só a existir, sem pensar em absolutamente nada.
O sucesso que era um medo disfarçado de objectivo
A definição de sucesso do Paulo mudou ao longo dos anos. E ele foi honesto sobre o início: a primeira versão de sucesso era não ter de se preocupar com dinheiro. Não era um objectivo de prazer. Era um medo. Medo de voltar a ser a pessoa que tinha zero euros na conta e me pedia 10 euros emprestados para ir jantar ao McDonald's. Medo de voltar a não saber como seria o dia de amanhã.
Ele já teve muito dinheiro. Depois voltou a não ter. Depois voltou a ter. E nesse vai e vem, aprendeu a saber lidar com o dinheiro e a respeitá-lo. Mas quando a vida financeira se resolveu, percebeu que sucesso não era isso. Sucesso, para ele, é o impacto que tem na vida das pessoas. Pessoas que mudam drasticamente os seus negócios, a forma de pensar, a forma de ver o mundo. É isso que o motiva a continuar a trabalhar "desalmadamente", como ele diz. Já nada tem a ver com o resultado financeiro.
A pressão é um privilégio
O Paulo trouxe uma referência que eu adorei. Um anúncio da Nike com o LeBron James que diz: a pressão é um privilégio destinado só àqueles de quem se espera alguma coisa. Porque de quem não se espera nada, não há pressão.
E isto resume muito a forma como ele lida com o dia a dia. Sente a pressão de as pessoas esperarem algo dele. E em vez de essa pressão o esmagar, transforma-a em disciplina. Quando os timings são apertados, não entra em stress, entra em foco. Transforma pressão em disciplina. E isto tem um preço, claro, porque quando depende de outras pessoas e não apenas de si, a gestão emocional complica-se. Mas quando depende só dele, vira três noites seguidas a trabalhar sem pestanejar. No último fim de semana antes desta gravação, entrou no estúdio às 10 da manhã e saiu às 7 da tarde. Porque se tinha comprometido a fazê-lo.
Trouxe também uma reflexão sobre o que significa ser líder de mercado: o melhor lugar para se estar é o segundo. Porque o segundo tem menos pressão. Quem tem de inovar, de ser disruptivo, de bater metas, é sempre o primeiro. O segundo pode observar, aprender, adaptar. Mas quando és o primeiro, ou estás a crescer ou estás a morrer. E antecipar que algo que funciona hoje vai deixar de funcionar amanhã é o exercício mais difícil de todos. Porque se esperares até ao dia em que deixa de funcionar, já vais tarde.
Se não entendes de pessoas, não entendes de negócios
Uma das frases que mais repete, e que neste episódio disse com particular intensidade: se não entendes de pessoas, não entendes de negócios. Porque negócios são feitos de pessoas e para pessoas. Podes entender muito de marketing, muito de vendas, mas se as pessoas não quiserem trabalhar contigo, nada daquilo importa.
E trouxe a analogia do desporto, que usa para tudo na vida: como é que transformas pessoas comuns em atletas de alta competição? Como é que pegas num miúdo que acabou de terminar uma licenciatura, sem experiência nenhuma no mercado de trabalho, e o transformas num profissional de alto rendimento dentro de uma empresa? Isso é que é extraordinário. É extrair o máximo potencial de cada pessoa. E faz-se confiando, independentemente dos anos de experiência, dando responsabilidade, e criando um contexto em que as pessoas possam crescer.
É por isso que a questão da liderança é tão central em tudo o que fazemos. Não é gerir tarefas. É transformar pessoas. E essa transformação exige que o líder também se conheça a si próprio, que saiba o que o move e o que o bloqueia, que tenha feito o trabalho de construir equipas de alto desempenho a partir de pessoas comuns que acreditaram que podiam ser mais.
A semana em que quase fez tilt
Perguntei-lhe se alguma vez sentiu o cansaço extremo do "não consigo mais". E ele disse que sim. O início deste ano foi muito difícil. Excesso de trabalho, muita responsabilidade, a morte do pai de forma inesperada aos 67 anos, e em cima disso, desilusões com pessoas próximas que foram injustas com ele.
Justiça é um dos seus três valores fundamentais. E quando alguém lhe é injusto, dói. Não é indiferença. Pessoas distantes podem desejar-lhe mal, isso não lhe faz diferença. Mas quando a injustiça vem de alguém próximo, de alguém a quem deu muito e de quem não recebeu o mesmo, isso é devastador. E naquele início de ano, foi um cocktail de tudo isto ao mesmo tempo. Uma semana inteira em que não estava nada bem. Eu vi isso de perto e foi das poucas vezes em que o vi chegar a esse estado.
O que o tirou de lá? Trabalho de mindset. Meditação. Psicologia positiva. Mas acima de tudo, planeamento. Parece estranho, mas para ele, saber para onde vai é o que lhe dá paz de espírito. Quando não sabe para onde está a caminhar, parece uma barata tonta. Quando tem o plano, tem calma. É a mesma lógica de usar GPS mesmo na cidade onde nasceu: não porque não saiba o caminho, mas porque retira da mente a preocupação de se lembrar dos melhores caminhos e dá previsibilidade. Nos negócios é exactamente igual. É isto que trabalhamos quando ajudamos empresários a criar um plano estratégico real: não é um documento bonito, é um GPS que te diz onde estás, para onde vais e o que fazer quando há um acidente na estrada.
O sacrifício que nunca foi sacrifício
A última pergunta foi sobre o maior sacrifício que fez para chegar onde chegou. E a resposta foi clara: nunca considerei que nada daquilo que fiz foi um sacrifício. Se tivesse de escolher, diria que foram as horas. As centenas de sextas-feiras e sábados à noite em que os amigos iam ao café e ele estava lá com o portátil a trabalhar. No café, aliás, onde nos conhecemos, porque a Regina ia lá tomar o pequeno-almoço e um dia o nosso olhar cruzou-se.
Ele tomou uma resolução de ano novo em 2008: não vou mais trabalhar de casa. A partir de 1 de Janeiro, pegou no computador e foi para a cidade arranjar um sítio para trabalhar. Escolheu o café de um amigo. E ia para lá todos os dias, a qualquer hora, incluindo noites e fins de semana.
Mas nunca olhou para isso como um sacrifício. Foi uma escolha. E todas as escolhas geram um determinado resultado. Quem escolheu ir beber copos teve um resultado. Quem escolheu ficar a trabalhar teve outro. Nenhum está certo, nenhum está errado. Mas as consequências são diferentes. E é essa capacidade de olhar para o trabalho como uma ferramenta para construir a vida que se quer, sem drama, sem vitimização, é o que eu mais admiro nele.
É com esta mentalidade que começámos a construir tudo o que hoje temos. E é com esta mentalidade que levamos a imersão CHECKMATE: Gestão a centenas de empresários: a convicção de que não há sacrifícios, há escolhas. E que o resultado dessas escolhas depende daquilo que estamos dispostos a fazer hoje pelo que queremos ser amanhã.

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