

PODCAST
O Olhar da Coruja
Manter a essência de líder é o mais difícil com Cátia Jaulino | EP 12
Liderança
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Episódio 12
Sobre o episódio
Este é mais um episódio do Olhar da Coruja em que sou eu a responder às perguntas da equipa. Desta vez é a Cátia Jaulino, a nossa gestora de afiliados, que trabalha connosco há 9 anos. Nove. Era uma das cinco pessoas que faziam parte da empresa quando tudo começou. Não tinha filhos, a vida dela era completamente diferente. Hoje tem duas filhas, a Camila e a Freda, o Marco e uma vida que mudou por completo. A Cátia trouxe-me perguntas simples que pediram respostas profundas: o conselho mais importante que já recebi, o que me motiva todos os dias, as três palavras que mais me preenchem e a decisão mais importante que já tomei.
O conselho mais importante: acredita em ti
A Cátia perguntou-me qual foi o conselho mais importante que já recebi. Não precisei de pensar muito: acredita em ti.
Parece simples. Parece básico. Daquelas frases que toda a gente diz e ninguém sente. Mas quando alguém te diz isto no momento certo, quando tu estás na dúvida, quando não sabes se o caminho é para a direita ou para a esquerda, este conselho muda tudo. Porque acreditar em nós não é só acreditar que somos capazes. É acreditar na nossa intuição, naquilo que sentimos, naquela direcção que não se explica com matemática mas que o corpo sabe que é a certa.
Eu sei que os dados são importantes. Sei que os números importam e que as decisões devem ser ponderadas. Mas a minha direcção vem sempre daquilo que eu sinto, muito mais do que daquilo que a matemática diz. Normalmente, quando eu ignoro a intuição e sigo só o racional, as coisas correm pior. Quando eu confio naquilo que sinto e depois valido com os dados, as decisões saem muito mais acertadas.
Este é o conselho que eu daria a qualquer pessoa: confia mais em ti do que nos outros. Ouve-te com atenção. Os sinais estão lá. A intuição raramente mente. E se mais líderes aprendessem a ouvir-se a si próprios antes de ouvir o ruído à volta, tomariam decisões muito mais autênticas e muito mais certeiras.
A motivação que ninguém espera: não desiludir
A Cátia perguntou-me como é que eu me motivo todos os dias. E eu fui honesta: nem todos os dias tenho motivação. É ilusório da vossa parte acreditar que eu acordo todos os dias com vontade de conquistar o mundo. Não acordo. Há dias em que nada apetece. Há dias em que o espírito de sacrifício é a única coisa que me põe de pé.
Mas tenho uma motivação que não sei se é boa, se é má, se é saudável ou não. A motivação de não desiludir. Parece pesado. Talvez seja. Mas funciona.
Quando eu penso em todos os colaboradores, na vida pessoal, na família, e imagino quantas pessoas eu vou desiludir se tiver o comportamento de "que se lixe", o peso é gigante. Porque eu sei que se desiludir os outros, vou desiludir-me a mim. E desiludir-me a mim é a pior coisa que me pode acontecer. Então, mesmo nos dias em que a motivação não existe, essa responsabilidade de não desiludir empurra-me para a frente.
E acontece uma coisa engraçada: é como ir ao ginásio. Nunca apetece ir. Mas depois de começar, até gostas. E no fim pensas: ainda bem que não desisti, porque agora sinto-me feliz por ter feito. Aquilo que parecia importante, aquela desmotivação que parecia enorme, no final do dia tem muito menos peso. E tu terminas a pensar: se eu tivesse ficado no sofá, tinha sido triste. Porque deixei de viver aquilo que me faz sentir realizada.
É esta a motivação real: já sabes que vais gostar. Já sabes que no fim o peso vai diminuir. Então não te desiludas. Começa. O resto acontece pelo caminho.
Três palavras: empatia, emoções, ambição
A Cátia pediu-me três palavras que me preenchem. Escolhi empatia, emoções e ambição.
Empatia é a que mais gosto de viver, mais do que de dizer, porque parece que foi banalizada. Toda a gente fala em empatia, mas poucas pessoas a praticam de verdade. Para mim, empatia não é só colocar-me no lugar do outro. É ser capaz de sentir o que o outro sente. Quando alguém partilha alguma coisa comigo, eu olho para a expressão, para o tom, para o corpo, e tento ir o mais fundo possível no que aquela pessoa está a experienciar. Não fujo da dor do outro. Se a pessoa está em dor, eu quero perceber essa dor, não para ficar com ela, mas para ser mais compreensiva e mais justa nas minhas reacções.
Se mais pessoas conseguissem fazer isto, o mundo era mais simples e mais leve. Não éramos tão injustos uns com os outros. Não julgávamos tão depressa. Não exigíamos tanto de fora e tão pouco de dentro. A empatia é o que sustenta qualquer relação, seja pessoal ou profissional, e é a base daquilo que trabalhamos quando falamos de inteligência emocional na liderança: a capacidade de sentir para depois decidir melhor.
Emoções é a segunda palavra. E escolho-a precisamente porque vivemos numa época em que ter emoções parece uma fraqueza. Somos as choronas, as frágeis, as que não devem ser levadas a sério. Como se alguém que se permite sentir fosse alguém para não ter em consideração. Eu discordo profundamente.
Uma pessoa que vive as suas emoções consegue tomar decisões muito mais ponderadas. Quando usas carapaças, as tuas decisões são só racionais, matemáticas, muitas vezes enviesadas por aquilo que queres ver e pelo que o mundo externo vai dizer de ti. Quando tomas decisões baseadas em emoções, ponderadas com os dados, consegues ser muito mais assertiva. Não é ou emoção ou razão. É as duas juntas, em equilíbrio. Quem foge das emoções foge de metade da informação disponível para decidir.
Ambição é a terceira. Para mim, ambição é uma palavra maravilhosa. É preciso ser muito ambiciosa para sair da cama todos os dias e querer construir um negócio incrível. É preciso a mesma ambição para querer ser a melhor mãe do mundo. Ambição não é ganância. Não é querer mais às custas dos outros. É querer mais de nós próprios. É não nos conformarmos com o que já somos e querermos ser melhores amanhã. E essa vontade de mais é o que faz a diferença entre quem cresce e quem estagnou há anos sem se aperceber.
O propósito: fazer crescer pessoas e negócios
A Cátia perguntou-me qual é o meu propósito. Disse-lhe que propósito é uma coisa abrangente, que pode ser hoje uma coisa e amanhã outra. Mas neste momento, o meu propósito é fazer crescer pessoas e negócios.
Pessoas em todos os sentidos: empresários, colaboradores, família, pessoas que me são próximas. Como é que eu consigo ajudar alguém? Como é que eu consigo dar uma dica de alguma coisa que sei? Como é que eu consigo motivar alguém a querer mais? Este crescimento das pessoas à minha volta é o que me preenche. Não é dar. É ensinar a crescer. Não é fazer por eles. É mostrar o caminho e deixá-los caminhar.
E com os negócios é a mesma coisa. Como é que eu consigo partilhar o conhecimento que tenho e ajudar empresários a fazer mais e melhor? A construir equipas de alto desempenho? A tomar decisões com mais consciência? A liderar com empatia e ambição ao mesmo tempo?
Este propósito não nasceu de um dia para o outro. Foi-se construindo ao longo dos anos, à medida que fui percebendo que aquilo que mais me motiva não é o resultado financeiro, não é o reconhecimento externo, não é o tamanho da empresa. É ver alguém crescer. É ouvir um empresário dizer que alguma coisa mudou no negócio dele por causa de uma conversa que tivemos. É ver um colaborador que entrou inseguro e hoje lidera com confiança. Esse é o retorno que me faz acordar nos dias em que a motivação não existe.
A decisão mais importante: ser mãe
A última pergunta da Cátia foi qual foi a decisão mais importante que já tomei. Já tomei muitas decisões importantes, mas a resposta é clara: ser mãe.
Nós esquecemo-nos de que ser mãe foi uma decisão. Foi uma escolha. Passou a ser tão normal na nossa vida que parece que sempre foi assim. Mas não foi. Houve um momento em que decidimos: isto vai acontecer. E a partir daí, nada mais é igual. Nunca mais somos a mesma pessoa.
É a decisão mais impactante que se pode tomar. Mais do que qualquer negócio, qualquer emprego, qualquer relação. Porque é irreversível. Porque muda quem tu és a todos os níveis. Porque te obriga a crescer de formas que nunca imaginaste. E porque te dá uma motivação que vem de um sítio tão profundo que nenhuma outra experiência consegue replicar.
Maridos, namorados, negócios, empregos, tudo isso muda, tudo isso se adapta, tudo isso pode ser revertido. A decisão de ser mãe fica para sempre. E é bonita exactamente por isso. Porque te transforma de uma forma que não se volta atrás. E essa transformação, com tudo o que tem de desafiante e de maravilhoso, é o que me faz ser quem sou hoje, tanto em casa como na imersão CHECKMATE: Liderança, onde levo tudo isto: a empatia, as emoções, a ambição e a vontade de não desiludir.

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