Pesquisa de marcas no INPI: como saber se o teu nome está livre antes de gastar

Pesquisa de marcas no INPI: como saber se o teu nome está livre antes de gastar

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Pesquisa de marcas no INPI

A pesquisa de marcas no INPI é gratuita, demora minutos e evita a maior parte dos pedidos que morrem por colisão óbvia. Vale sempre a pena fazê-la antes de gastares dinheiro em registo, em identidade visual ou em rótulos impressos. Convém é saber o que ela responde. A pesquisa diz-te o que existe registado e tu encontraste, não diz que o nome está livre. O próprio INPI é explícito nas instruções: a pesquisa online não atribui qualquer direito de propriedade industrial, os resultados são meramente informativos, não dispensam a consulta de outras bases de dados ou fontes de informação, e na análise do pedido podem ser detetados outros direitos anteriores. Lê essa última parte devagar, porque é a que interessa. O organismo que vai examinar o teu pedido avisa, à partida, que no exame pode encontrar aquilo que a tua pesquisa não encontrou. Não é uma falha técnica que alguém vá corrigir um dia, é a natureza do instrumento. A distância entre "não encontrei nada" e "está livre" é onde vivem os pedidos recusados, as oposições inesperadas e as marcas que se abandonam ao fim de meses e de alguns milhares de euros investidos. Este artigo mostra-te como fazer a pesquisa de forma a fechar essa distância ao máximo, e onde é que ela nunca fecha por completo.

A pesquisa de marcas no INPI é gratuita, demora minutos e evita a maior parte dos pedidos que morrem por colisão óbvia. Vale sempre a pena fazê-la antes de gastares dinheiro em registo, em identidade visual ou em rótulos impressos. Convém é saber o que ela responde. A pesquisa diz-te o que existe registado e tu encontraste, não diz que o nome está livre. O próprio INPI é explícito nas instruções: a pesquisa online não atribui qualquer direito de propriedade industrial, os resultados são meramente informativos, não dispensam a consulta de outras bases de dados ou fontes de informação, e na análise do pedido podem ser detetados outros direitos anteriores. Lê essa última parte devagar, porque é a que interessa. O organismo que vai examinar o teu pedido avisa, à partida, que no exame pode encontrar aquilo que a tua pesquisa não encontrou. Não é uma falha técnica que alguém vá corrigir um dia, é a natureza do instrumento. A distância entre "não encontrei nada" e "está livre" é onde vivem os pedidos recusados, as oposições inesperadas e as marcas que se abandonam ao fim de meses e de alguns milhares de euros investidos. Este artigo mostra-te como fazer a pesquisa de forma a fechar essa distância ao máximo, e onde é que ela nunca fecha por completo.

Rafael Parreira

Rafael Parreira

Antes de tudo: os dois INPI

Antes de tudo: os dois INPI

Há uma armadilha específica de quem pesquisa isto em português e ela apanha quase toda a gente.

Portugal tem um Instituto Nacional da Propriedade Industrial. O Brasil tem um Instituto Nacional da Propriedade Industrial. Mesmo nome, mesma sigla, países diferentes, procedimentos diferentes, prazos diferentes, legislação diferente.

Quando escreves "INPI pesquisa de marcas" num motor de busca, uma parte substancial do que te aparece é brasileiro, e é escrito com a mesma competência e a mesma confiança de um artigo português. Fala em protocolo, em Revista da Propriedade Industrial, em prazos de 60 dias, em exame de mérito. Nada disso é a tua realidade, e nada disso está assinalado.

A regra prática é simples e poupa-te meses: se o texto fala em "RPI", em "protocolar" ou em "registro", não é sobre ti. Em Portugal publica-se no Boletim da Propriedade Industrial, apresenta-se um pedido, e escreve-se registo com um "s". São pistas ortográficas e valem como filtro.

Este é, aliás, um cuidado que devias estender a tudo o que leres sobre esta matéria. A informação jurídica em português está contaminada por conteúdo brasileiro que é perfeitamente correto no país dele e perfeitamente errado no teu. A referência que interessa é o serviço oficial do Estado português.

Onde se pesquisa, e é gratuito

A pesquisa pode ser feita por qualquer pessoa, a qualquer momento, e não custa nada. Isto é importante porque há uma indústria a vender pesquisas de marca como se fossem um serviço inacessível, e a parte mecânica não é.

Há duas bases que devias usar sempre, e usar as duas não é redundância.

A base do INPI português cobre as marcas nacionais, ou seja, as que foram registadas para produzir efeitos em Portugal. É a mais óbvia e é insuficiente sozinha.

A TMview, gerida a nível europeu, agrega marcas de dezenas de institutos, incluindo o europeu e os nacionais de vários países. Os números oficiais do EUIPO dão a dimensão: em 2025, ao completar quinze anos, a plataforma ligava mais de 136 milhões de marcas de 80 países, tendo começado, em 2010, com 5 milhões de marcas de oito institutos europeus. É a maior plataforma gratuita de pesquisa de marcas do mundo, e não te custa nada.

É onde vais encontrar aquilo que a base nacional não tem, e o que ela não tem é decisivo: uma marca da União Europeia produz efeitos em Portugal sem estar registada no INPI português. Alguém que registou a marca em Bruxelas para toda a Europa tem direitos aqui, e não aparece na tua pesquisa nacional.

O próprio EUIPO é explícito sobre os limites disto, e vale a pena ler o aviso deles porque ecoa o do Estado português: as contestações mais frequentes a pedidos de marca vêm de outras marcas registadas, e pesquisá-las antes poupa tempo e dinheiro. Mas existem outros direitos com base nos quais um pedido pode ser contestado, e o exemplo que dão é o das marcas notórias que não estão registadas.

Na prática, isto define o mínimo aceitável de uma pesquisa: as duas bases, sempre, e a consciência de que nem as duas juntas cobrem tudo. As marcas notórias não registadas, os nomes de empresa e os direitos anteriores não registados ficam fora de ambas, e é exatamente daí que vêm as oposições que ninguém antecipou.

Isto significa que um empresário que consulte apenas a base portuguesa, veja que está livre, e avance, pode estar a caminhar contra um direito europeu que existe e que ele nunca viu. É o erro mais frequente e o mais caro, e a mecânica completa do processo de registo, com custos e prazos, está tratada no guia sobre como registar uma marca.

Pesquisar o nome não chega, e é aqui que quase toda a gente falha

Pesquisar o nome não chega, e é aqui que quase toda a gente falha

Chegamos ao ponto que separa uma pesquisa útil de uma perda de tempo.

A maioria das pessoas escreve o nome exato na caixa, não encontra nada, e conclui que está livre. Essa pesquisa não vale nada, porque o direito de marcas não protege palavras, protege sinais distintivos contra a confusão.

O critério que interessa não é se o nome existe. É se um consumidor médio pode confundir. E a confusão mede-se em três eixos que convém conhecer, porque vais ter de os aplicar tu:

  • Semelhança gráfica. Escreve-se de forma parecida: uma letra a mais, uma letra trocada, um hífen, um espaço. Marcas que diferem num único caráter continuam a ser confundíveis aos olhos de quem passa por elas de relance, e é assim que um consumidor as vê, não lado a lado numa folha.

  • Semelhança fonética. Soa parecido quando dito em voz alta. "Kasa" e "Casa" escrevem-se de maneira diferente e dizem-se exatamente da mesma forma. É o eixo mais subestimado e o mais decisivo em setores onde as pessoas pedem as coisas a falar. Se dizeres o teu nome ao telefone pode produzir o do outro, tens um problema.

  • Semelhança conceptual. Evoca a mesma ideia. Duas marcas completamente diferentes na escrita e no som podem ser confundíveis se transmitirem o mesmo conceito ao mesmo público.

E há uma quarta dimensão que atravessa as três e que muda tudo: a classe. A confusão só é relevante dentro do mesmo território de produtos e serviços. Duas marcas iguais podem coexistir legalmente se venderem coisas que nunca se cruzam no mercado.

Há uma exceção que convém conhecer antes de te entusiasmares com esta regra: as marcas de prestígio são protegidas para além da sua classe. Não podes registar um nome notoriamente conhecido só porque o vais usar noutro setor, porque a lei protege o titular contra o aproveitamento do prestígio alheio mesmo sem risco de confusão. Se o nome que escolheste coincide com uma marca que qualquer pessoa reconhece, a classe não te salva.

Isto tem uma implicação prática que inverte a forma como a maioria das pessoas pesquisa. Não pesquisas um nome e vês se existe. Pesquisas variações do teu nome dentro das classes onde vais operar, e vês se alguma delas te pode ser oposta.

Como pesquisar a sério, em vinte minutos

O método é aborrecido e é o que separa quem descobre o problema hoje de quem o descobre daqui a nove meses.

Começa por escrever uma lista de variações do teu nome antes de tocar em qualquer base. O nome exato. Sem espaços. Com espaços. Com e sem o artigo. As grafias alternativas plausíveis, com "c" e com "k", com "s" e com "z", com "ph" e com "f". As versões abreviadas. As versões no plural. E, sobretudo, como é que alguém escreveria o teu nome se o tivesse ouvido ao telefone e nunca o tivesse visto escrito. Essa última lista é a que mais problemas revela.

Depois pesquisa cada uma, nas duas bases, e não filtres por classe à primeira. Vê tudo. Uma marca noutra classe não te impede, mas dá-te informação sobre o terreno e sobre quem já lá está.

Só depois é que restringes às tuas classes e olhas com atenção. E aqui a pergunta que devias fazer a cada resultado não é "é igual ao meu?". É outra, e é desconfortável: se eu fosse o dono desta marca e visse a minha aparecer no mercado, ficava incomodado? Se a resposta for sim, encontraste um risco, independentemente de a semelhança te parecer aceitável a ti.

E há uma verificação final que ninguém faz e que custa cinco minutos: pesquisa o teu nome num motor de busca normal, num registo de domínios e nas redes sociais. Não porque isso te dê direitos, não dá, mas porque uma marca que já está a ser usada por alguém, mesmo sem registo, pode gerar-te um conflito comercial e reputacional que nenhuma base de dados te mostra.

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O que a pesquisa nunca te vai dizer

O que a pesquisa nunca te vai dizer

Feita a pesquisa como deve ser, fica na mesma um conjunto de riscos que ela não cobre. Convém saber quais são, porque é aí que aparecem as surpresas.

Não te diz nada sobre marcas pedidas e ainda não publicadas. Existe uma janela entre alguém apresentar um pedido e esse pedido aparecer nas bases. Se o teu concorrente pediu na semana passada, tu não o vês, e ele tem prioridade sobre ti.

Não te diz nada sobre direitos não registados que existem na mesma. Nomes comerciais, logótipos usados, direitos de autor sobre elementos gráficos, nomes de pessoas. Nem tudo o que te pode ser oposto está numa base de marcas.

Não te diz como é que o examinador vai interpretar a semelhança. Isso é um juízo humano com margem, e a mesma comparação pode correr de duas maneiras. As bases dão-te factos, não dão previsões.

E não te diz se o teu nome é distintivo. Este é o motivo de recusa que apanha mais gente desprevenida e não tem nada que ver com marcas anteriores: um sinal demasiado descritivo do produto ou demasiado genérico pode ser recusado mesmo que não haja ninguém no caminho. Podes ter a base toda limpa e o nome ser irregistável na mesma, porque descreve o que vendes em vez de o distinguir.

Em resumo: a pesquisa serve para eliminar candidatos, não para aprovar nenhum. É um filtro negativo. Encontrar um obstáculo é informação sólida, e deves agir sobre ela. Não encontrar nada é ausência de informação, e a decisão que se toma a seguir é de risco, não de certeza.

As classes, e a decisão que quase ninguém pondera

Vale a pena parar aqui, porque a escolha das classes é onde a pesquisa e a estratégia se encontram.

O sistema organiza produtos e serviços em classes internacionais. Registas a tua marca em determinadas classes e a proteção existe ali e não noutro sítio. Escolher poucas deixa-te descoberto. Escolher muitas custa dinheiro e cria exposição a oposições que não precisavas de enfrentar.

E há uma armadilha nas duas direções.

Registar de menos é o erro clássico do empresário que poupa. Regista a classe onde vende hoje, esquece a classe adjacente onde vai vender daqui a dois anos, e descobre que alguém a ocupou entretanto. A proteção não se estende por analogia.

Registar de mais é o erro do empresário cauteloso, e tem duas consequências que ninguém antecipa. Custa dinheiro por classe. E cria vulnerabilidade: se não usares seriamente a marca numa classe durante 5 anos consecutivos, qualquer interessado pode pedir a caducidade do registo nessa parte, e acabas sem proteção precisamente onde pagaste por ela.

A decisão certa não é máxima nem mínima, é onde estás e onde vais estar dentro do horizonte que consegues prever. É uma decisão que devia estar articulada com o plano de negócios e não tomada no dia em que se preenche o formulário, porque quem preenche o formulário decide, em três minutos, o perímetro do ativo que vai construir durante uma década.

Quando a pesquisa mostra um obstáculo

Quando a pesquisa mostra um obstáculo

Encontraste uma marca parecida. E agora?

A reação instintiva é desistir do nome, e às vezes é a decisão certa. Mas há mais caminhos e vale a pena conhecê-los antes de deitar fora meses de trabalho de marca.

Verifica se está viva. Uma marca registada há doze anos e nunca renovada caducou. Uma marca registada e nunca usada pode ser vulnerável. As bases mostram-te o estado do processo, e um obstáculo formal pode ser um obstáculo morto.

Verifica as classes com precisão. Se ele está numa classe e tu vais estar noutra que genuinamente não se cruza, a coexistência pode ser possível. Isto exige julgamento e é onde a opinião de quem sabe vale o que custa.

Considera a coexistência negociada. Existem acordos entre titulares para delimitar territórios de uso. Não é comum em PME e existe.

Ajusta o sinal. Às vezes um elemento adicional, uma figura, uma composição, cria distância suficiente. Às vezes não cria nenhuma. Depende do caso e não se resolve com regras gerais.

O que não devias fazer é o que muita gente faz: avançar na esperança de que ninguém repare. O titular da marca anterior tem dois meses para se opor a contar da publicação do teu pedido no Boletim da Propriedade Industrial, e há empresas que vigiam as publicações precisamente para isso. Contar com a distração alheia não é estratégia, é adiar o problema para o momento em que já investiste na marca.

O custo de descobrir tarde

Vale a pena fazer a conta, porque ela é o argumento inteiro deste artigo.

A pesquisa custa zero euros e vinte minutos. É gratuita, está disponível a qualquer pessoa e a qualquer momento.

Descobrir o problema depois custa: a taxa do pedido, que perdes. O tempo, que são meses. O trabalho de identidade visual, que foi pago. Os materiais impressos, o site, a sinalética. O domínio. E a coisa que não se recupera, que é o reconhecimento que os teus clientes já construíram à volta de um nome que vais ter de abandonar.

Em números, para uma empresa pequena que já lançou, isto anda facilmente nos milhares de euros, e o mais caro não está na fatura. Está na conversa em que tens de explicar aos clientes que mudaste de nome, e no reinício de uma construção de marca que estava a meio, um trabalho que o artigo sobre branding para PME mostra que não se faz em três meses.

A assimetria é brutal e é a razão pela qual isto se faz sempre: vinte minutos hoje contra milhares de euros e um ano de identidade daqui a nove meses. E é precisamente por a pesquisa ser gratuita que ninguém a leva a sério, porque o cérebro humano atribui valor ao que custa.

Perceber que a marca é um ativo e que os ativos se protegem antes de existirem, e não depois de valerem alguma coisa, é exatamente o tipo de raciocínio que a imersão CHECKMATE: Gestão 2.0 trabalha com empresários que construíram valor e nunca pararam para verificar se era deles.

O momento certo, e é mais cedo do que julgas

Há uma sequência que quase toda a gente inverte.

O padrão comum é: escolhe-se o nome, adora-se o nome, encomenda-se o logótipo, compra-se o domínio, imprimem-se os cartões, lança-se, e um dia alguém sugere registar a marca. Nessa altura a pesquisa deixa de ser uma verificação e passa a ser um teste que já não podes dar-te ao luxo de reprovar, porque já estás emocional e financeiramente comprometido.

A sequência que funciona é o contrário e não custa mais nada: pesquisa antes de te apaixonares. Faz a lista de nomes candidatos, passa-os todos pela pesquisa, e só depois é que escolhes entre os que sobrevivem. É a mesma disciplina de qualquer decisão de negócio: filtras primeiro por viabilidade e só depois por preferência.

Isto é particularmente crítico para quem está a abrir empresa, porque há aqui uma confusão que custa caro e que merece ser dita com clareza: a firma e a marca são registos diferentes, em instituições diferentes, com efeitos diferentes. Constituir uma sociedade com determinado nome não te dá a marca. Ter a marca não te garante a firma. São dois processos, e ter um não dispensa o outro.

Muita gente sai da conservatória convencida de que o nome está protegido. Não está. Está reservado como firma, o que impede outra sociedade de se constituir com nome igual e não impede ninguém de usar aquele nome como marca no mercado.

E há a situação inversa, que apanha ainda mais gente: escolheste um nome da bolsa de firmas pré-aprovadas porque era rápido, e agora vais construir a tua comunicação sob outro nome, que é o que realmente interessa. Perfeitamente legítimo, e obriga-te a perceber que a marca que precisas de proteger não é a que está na certidão, é a que vai estar na porta. São coisas diferentes e é a segunda que vale dinheiro.

Para quem está a dar os primeiros passos num negócio, esta é provavelmente a verificação com melhor relação entre esforço e consequência de toda a fase de arranque. Não custa nada, demora uma manhã, e evita o único erro desta fase que não se corrige com trabalho: descobrir, com clientes já conquistados, que o nome pelo qual te conhecem pertence a outra pessoa.

O que estás a pesquisar: nome, logótipo, ou os dois

Vale a pena arrumar isto, porque a resposta muda a pesquisa e quase ninguém sabe que há uma escolha a fazer.

Uma marca pode ser um sinal nominativo, que é só a palavra, sem forma nem cor. Pode ser figurativo, que é o desenho. E pode ser misto, que é a combinação dos dois.

A distinção parece técnica e decide o âmbito da tua proteção. Uma marca nominativa protege a palavra escrita de qualquer maneira, em qualquer tipo de letra, em qualquer cor. É a proteção mais forte sobre o nome, e é a que interessa a quem vai construir marca a sério. Uma marca figurativa protege aquele desenho específico, e não impede ninguém de usar a mesma palavra com outro grafismo.

Isto tem uma consequência direta na pesquisa que estás a fazer. Se vais registar o nome, a tua pesquisa é sobre palavras e semelhanças fonéticas. Se vais registar só o logótipo, a tua pesquisa é sobre elementos visuais, e a base permite procurar por elementos figurativos codificados, o que é um exercício completamente diferente e muito mais difícil de fazer sozinho.

O erro que vejo com frequência é registar apenas o logótipo, porque é o que se vê e é o que se pagou, deixando o nome desprotegido. Meses depois aparece um concorrente com o mesmo nome e outro grafismo, e não há nada a fazer. Registaste o desenho e deste o nome.

As recusas que não têm nada que ver com outras marcas

Há dois tipos de motivo de recusa, e quem pesquisa só se prepara para um deles. Os motivos relativos têm que ver com direitos anteriores de terceiros, e é isso que a pesquisa procura. Os motivos absolutos dependem apenas do teu sinal: o Código da Propriedade Industrial manda recusar sinais desprovidos de caráter distintivo, exclusivamente descritivos do produto ou serviço, ou que se tornaram genéricos na linguagem corrente. Não há terceiro nenhum envolvido, e a recusa vem na mesma.

Traduzindo para o que isto significa na prática: podes ter a base toda limpa e o teu nome ser irregistável na mesma. Se vendes pão e queres registar "Pão Bom", não há nenhuma marca no caminho e não vais conseguir, porque o sinal descreve em vez de distinguir. Ninguém pode ter o monopólio de palavras que os concorrentes precisam de usar para descrever o que vendem.

E há a ironia comercial que ninguém antecipa: os nomes mais fáceis de vender são os mais difíceis de registar. Um nome que diz o que fazes é bom para o cliente perceber e é péssimo para a proteção. Um nome inventado, que não significa nada, é mais difícil de explicar e é blindado. É uma escolha de estratégia de marca disfarçada de escolha criativa, e é onde a decisão de marca e a decisão jurídica se cruzam sem que ninguém as ponha na mesma mesa.

Há um meio-termo que funciona e que a maioria das marcas boas usa: nomes sugestivos, que evocam sem descrever. Não dizem o que fazes, sugerem uma qualidade ou uma sensação. São registáveis e são vendáveis. E não se encontram numa tarde.

Se encontrares alguém a usar o teu nome

Vale a pena inverter a pergunta, porque a mesma pesquisa que fazes antes de registar serve para outra coisa depois.

Imagina que pesquisas e encontras alguém a usar um nome parecido com o teu, mas nunca o registou. Ou que descobres que alguém pediu o registo depois de tu já estares no mercado. As posições não são simétricas e vale a pena perceber porquê.

O registo é o que decide. Em Portugal, é o registo no INPI que constitui o direito, e não a ordem por que as pessoas começaram a usar o nome. Isto significa que podes estar a usar uma marca há oito anos, ter construído reputação à volta dela, e ver alguém registá-la e passar a poder impedir-te de a usar. É brutal e é assim.

Há uma janela específica para quem já usava o sinal sem o registar: o Código da Propriedade Industrial dá-lhe prioridade para efetuar o registo durante 6 meses a contar do início desse uso. Passado esse prazo, restam-lhe os mecanismos gerais, que exigem prova, tempo e uma decisão de terceiro.

E se és tu que tens o registo e encontras alguém a copiar? Aí a pesquisa transforma-se em vigilância, e o prazo de oposição, aqueles dois meses a contar da publicação, é a janela mais barata que vais ter. Depois dela fecha-se, e o remédio passa a ser outro, mais lento e mais caro.

Há uma coisa que devias fazer e que custa zero: cria um alerta com o teu nome de marca. Não substitui vigilância profissional, e apanha a maior parte dos casos óbvios. É o mínimo, e a maioria das PME nem isso tem.

Depois do registo, a vigilância

Fica uma parte que o título não promete e que muda a leitura de tudo o resto.

Registar não é arquivar. Uma marca vive de uso e de vigilância, e as duas coisas são obrigações práticas e não conselhos.

O uso importa porque a falta de uso sério da marca durante 5 anos consecutivos abre a porta a pedidos de caducidade, e qualquer interessado os pode apresentar. Na prática, isto significa guardar prova ao longo do tempo: faturas, anúncios, capturas de ecrã do site, embalagens, contratos, catálogos, campanhas, tudo datado. É a tarefa mais aborrecida de todas e é a que te salva no dia em que alguém disser que não usas a marca.

A vigilância importa porque o sistema não te protege sozinho. Ninguém te avisa quando alguém pede uma marca parecida com a tua. Se não estiveres a olhar para as publicações, o prazo de oposição passa, e depois o remédio é mais caro e menos certo.

Isto é ainda mais relevante para quem vende online ou para fora, onde a exposição é maior e onde os territórios se multiplicam. Uma marca portuguesa não te protege em Espanha, e quem pensa em internacionalizar devia fazer esta pesquisa nos mercados de destino antes de lá chegar, e não depois de descobrir que o nome está ocupado.

Quando é que vale a pena pagar a alguém

Depois de tudo isto, a pergunta honesta: se a pesquisa é gratuita e o método está aqui, para que serve um profissional?

Serve para o que este artigo não consegue fazer, que é julgar. A pesquisa é mecânica e qualquer pessoa a faz. A avaliação do risco de confusão é um juízo que se constrói com experiência de ver casos decididos, e é aí que a diferença aparece.

Faz tu a pesquisa quando o cenário for limpo, o nome for claramente distintivo, não houver nada parecido em nenhuma base, e o negócio for pequeno e local.

Paga a alguém quando encontrares qualquer coisa na zona cinzenta e não souberes decidir. Quando as classes forem várias ou complicadas. Quando o nome for descritivo e a distintividade estiver em causa. Quando fores investir a sério na marca. E sempre que a resposta à pergunta "quanto custa estar errado" for um número grande.

A regra é a mesma de qualquer decisão de gestão: o custo do especialista compara-se com o custo do erro, e não com zero. Comparar com zero é a razão pela qual tanta gente competente decide sozinha coisas que não devia.

O que fazer esta semana

Se tens um negócio e nunca fizeste isto, aqui está o que rende mais e cabe numa manhã.

Escreve o nome da tua marca e passa-o pelas duas bases. Se te aparecer alguma coisa parecida nas tuas classes, já não estás a ler um artigo, estás a olhar para um problema, e a decisão sobre o que fazer com ele é urgente e não é tua sozinho.

Se não aparecer nada, resiste ao impulso de te sentires seguro e faz a pergunta seguinte: isto está registado? Uma marca que usas há anos e nunca registaste é um ativo que não é teu. E a facilidade com que a pesquisa correu não é indicação de que o registo vai correr bem, porque a distintividade é outra conversa.

E se estás a criar um negócio agora e ainda estás a decidir o nome, tens uma vantagem que os outros já perderam: podes usar a pesquisa como filtro em vez de como teste. Cinco candidatos, cinco pesquisas, e escolhes entre os que sobrevivem. A liberdade de escolher outro nome vale mais do que qualquer nome, e desaparece no dia em que imprimes o primeiro cartão.

E quando o resultado cair na zona cinzenta, trata isso como o que é: um juízo de risco que exige quem já viu casos decididos, e não uma dúvida que se resolve com mais uma pesquisa.

Conclusão

Conclusão

Fica a ordem que resolve quase tudo o que ficou acima. Faz a pesquisa antes de escolheres o nome e não depois, nas duas bases e não só na nacional, com variações e não só com a grafia exata, e dentro das classes onde vais mesmo operar. Quatro decisões, vinte minutos, e cobrem a maior parte do risco que existe cobrir. Se ficares com uma frase, que seja a que está escrita no próprio portal do Estado e que quase ninguém lê: os resultados da pesquisa são apenas informativos, e no exame do pedido podem ser detetados outros direitos anteriores. Ou seja, nem o organismo que a disponibiliza te promete que ela chega. Usa-a para eliminar candidatos, nunca para aprovar nenhum, e trata um resultado limpo como uma ausência de más notícias em vez de uma boa notícia. É uma distinção pequena e é a diferença entre construir uma marca e alugar um nome a alguém que ainda não descobriu que é dele.

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