Eneagrama para empresários: como o teu tipo de personalidade influencia a gestão do teu negócio

Liderança

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Eneagrama para empresários

Há uma pergunta que faço com frequência a empresários em contexto de formação e que quase sempre gera um silêncio desconfortável: "Porque é que tomas decisões dessa forma?" Não é uma pergunta sobre a decisão em si. É sobre o que está por trás dela. Sobre o padrão inconsciente que te leva a reagir de uma determinada maneira, vezes sem conta, em situações que parecem diferentes mas que, quando olhadas com atenção, activam sempre o mesmo mecanismo interno. O empresário que insiste em controlar cada detalhe. O que evita conflitos a todo o custo. O que se lança em dez projectos ao mesmo tempo. O que não consegue delegar. O que está sempre a mudar de estratégia. Nenhum destes comportamentos é aleatório. Todos seguem um padrão, e esse padrão tem um nome no sistema de personalidade mais profundo e mais útil que conheço para o contexto empresarial: o Eneagrama. O Eneagrama não é mais um teste de personalidade como o MBTI ou o DISC, que te dizem o que fazes. O Eneagrama diz-te porque é que fazes o que fazes. Vai à raiz, à motivação inconsciente que guia o teu comportamento, e que se manifesta de forma particularmente intensa quando estás sob pressão, que é, convenhamos, o estado natural de quem gere um negócio. Quando percebes essa motivação, percebes porque é que certas situações te activam desproporcionalmente, porque é que tens conflitos recorrentes com determinados tipos de pessoas, e porque é que há áreas da gestão que dominas intuitivamente e outras que te drenam a energia mesmo quando te esforças. Este artigo é um guia prático para empresários que querem usar o Eneagrama como ferramenta de autoconhecimento aplicado à gestão. Não vamos ficar na teoria dos nove tipos. Vamos percorrer cada um deles com a lente de quem gere uma empresa, identificando como cada tipo toma decisões, lidera equipas, lida com dinheiro, enfrenta crises, e sabota o próprio crescimento sem se aperceber. É o tipo de conteúdo que não encontras em testes online de cinco minutos, mas que muda a forma como olhas para ti, para o teu negócio, e para as pessoas que trabalham contigo.

Há uma pergunta que faço com frequência a empresários em contexto de formação e que quase sempre gera um silêncio desconfortável: "Porque é que tomas decisões dessa forma?" Não é uma pergunta sobre a decisão em si. É sobre o que está por trás dela. Sobre o padrão inconsciente que te leva a reagir de uma determinada maneira, vezes sem conta, em situações que parecem diferentes mas que, quando olhadas com atenção, activam sempre o mesmo mecanismo interno. O empresário que insiste em controlar cada detalhe. O que evita conflitos a todo o custo. O que se lança em dez projectos ao mesmo tempo. O que não consegue delegar. O que está sempre a mudar de estratégia. Nenhum destes comportamentos é aleatório. Todos seguem um padrão, e esse padrão tem um nome no sistema de personalidade mais profundo e mais útil que conheço para o contexto empresarial: o Eneagrama. O Eneagrama não é mais um teste de personalidade como o MBTI ou o DISC, que te dizem o que fazes. O Eneagrama diz-te porque é que fazes o que fazes. Vai à raiz, à motivação inconsciente que guia o teu comportamento, e que se manifesta de forma particularmente intensa quando estás sob pressão, que é, convenhamos, o estado natural de quem gere um negócio. Quando percebes essa motivação, percebes porque é que certas situações te activam desproporcionalmente, porque é que tens conflitos recorrentes com determinados tipos de pessoas, e porque é que há áreas da gestão que dominas intuitivamente e outras que te drenam a energia mesmo quando te esforças. Este artigo é um guia prático para empresários que querem usar o Eneagrama como ferramenta de autoconhecimento aplicado à gestão. Não vamos ficar na teoria dos nove tipos. Vamos percorrer cada um deles com a lente de quem gere uma empresa, identificando como cada tipo toma decisões, lidera equipas, lida com dinheiro, enfrenta crises, e sabota o próprio crescimento sem se aperceber. É o tipo de conteúdo que não encontras em testes online de cinco minutos, mas que muda a forma como olhas para ti, para o teu negócio, e para as pessoas que trabalham contigo.

Regina Santana

Regina Santana

O que o Eneagrama revela que outros testes não revelam

O que o Eneagrama revela que outros testes não revelam

A maioria dos empresários já fez pelo menos um teste de personalidade. O MBTI disse-lhe se é introvertido ou extrovertido. O DISC disse-lhe se é dominante, influente, estável ou conforme. Estes testes são úteis para perceber comportamentos observáveis, mas têm uma limitação fundamental: descrevem o que está à superfície sem explicar o que está por baixo. E para um empresário que quer genuinamente mudar padrões que estão a limitar o crescimento do negócio, a superfície não é suficiente.

O Eneagrama trabalha a um nível mais profundo e mais consequente para quem gere um negócio. Em vez de descrever traços comportamentais, identifica a motivação central que organiza toda a personalidade. O medo fundamental, o desejo fundamental, e a estratégia inconsciente que cada tipo usa para se sentir seguro no mundo. Um empresário Tipo 3, o Motivador, não é apenas "orientado para resultados". É alguém cuja identidade está construída em torno do sucesso e que, quando sente que não está a ser bem-sucedido, entra em modo de sobrevivência emocional que o pode levar a decisões destrutivas. Um empresário Tipo 6, o Precavido, não é apenas "cauteloso". É alguém que procura segurança e que, quando não a encontra, pode oscilar entre paralisia e reactividade impulsiva.

Esta profundidade é o que torna o Eneagrama extraordinariamente útil no contexto empresarial. Porque a gestão de um negócio é, no fundo, uma sequência infinita de decisões tomadas sob pressão. E é sob pressão que os padrões inconscientes se manifestam com mais força. O empresário que não percebe os seus padrões está condenado a repeti-los. O que os percebe pode escolher responder de forma diferente. E essa escolha, repetida centenas de vezes ao longo de um ano, é a diferença entre um negócio que cresce e um negócio que gira em círculos.

O sistema organiza-se em três centros de inteligência: o centro instintivo (Tipos 8, 9 e 1), ligado à acção e ao controlo; o centro emocional (Tipos 2, 3 e 4), ligado à identidade e à relação com os outros; e o centro mental (Tipos 5, 6 e 7), ligado à segurança e ao planeamento. Saber em que centro te situas já te diz muito sobre a forma como abordas a gestão: se decides pela acção, pela emoção, ou pela análise.

Os nove tipos na cadeira do empresário

Vamos percorrer cada tipo com um olhar específico para a realidade de quem gere um negócio. Para cada um, vou identificar a motivação central, os pontos fortes na gestão, os pontos cegos que sabotam o crescimento, e a pergunta que o tipo precisa de fazer a si próprio regularmente.

Tipo 1, o Perfeccionista: o empresário que não consegue largar o detalhe

O empresário Tipo 1 é movido pela necessidade de fazer as coisas da forma correcta. Tem padrões elevadíssimos, é organizado, é ético, e é incansável na busca pela excelência. A sua empresa tende a ter processos bem definidos, qualidade consistente, e uma reputação de rigor.

O ponto cego? Confunde excelência com perfeição e não consegue avançar enquanto não está tudo impecável. Um Tipo 1 pode demorar meses a lançar um produto porque encontra sempre mais um detalhe para corrigir. Pode desgastar a equipa com exigências que, sendo legítimas individualmente, no conjunto se tornam paralisantes. E tem uma dificuldade enorme em delegar, porque ninguém faz as coisas "como deve ser", ou seja, como ele faria.

A pergunta que o Tipo 1 precisa de fazer: "O que é que acontece se isto for 85% em vez de 100%? O mundo acaba?"

Tipo 2, o Prestativo: o empresário que cuida de todos menos do negócio

O Tipo 2 é movido pela necessidade de ser amado e de se sentir indispensável. É o empresário que conhece o nome dos filhos de todos os funcionários, que está sempre disponível para ajudar um cliente fora de horas, e que tem uma capacidade relacional que é genuinamente um superpoder na construção de parcerias e na fidelização de clientes.

O ponto cego? Prioriza as relações sobre os resultados e tem enorme dificuldade em tomar decisões que possam magoar alguém, mesmo quando essas decisões são necessárias para a saúde do negócio. Um Tipo 2 adia despedimentos até se tornar insustentável, evita cobrar a clientes que estão em atraso porque não quer estragar a relação, e negligencia os números porque a sua atenção está toda nas pessoas. A margem pode estar a encolher e o Tipo 2 não repara, porque está demasiado ocupado a garantir que toda a gente está bem.

A pergunta que o Tipo 2 precisa de fazer: "Estou a tomar esta decisão porque é a melhor para o negócio, ou porque é a mais confortável para mim emocionalmente?"

Tipo 3, o Motivador: o empresário que confunde actividade com progresso

O Tipo 3 é o tipo mais classicamente associado ao empreendedorismo. É movido pela necessidade de sucesso e de reconhecimento. É competitivo, energético, orientado para objectivos, e extraordinariamente eficaz a executar. Os outros tipos sonham, o Tipo 3 faz acontecer.

O ponto cego? O Tipo 3 pode tornar-se tão obcecado com a imagem de sucesso que perde contacto com o que realmente importa. Pode perseguir crescimento de faturação que não se traduz em lucro. Pode aceitar projectos que parecem impressionantes mas que destroem a operação. E, talvez o mais perigoso, pode criar uma cultura empresarial onde a aparência de produtividade é mais valorizada do que o impacto real. A equipa aprende a parecer ocupada porque é isso que o líder valoriza, não o resultado.

A pergunta que o Tipo 3 precisa de fazer: "Estou a correr para onde? E quando chegar, vai ter valido a pena?"

Tipo 4, o Romântico: o empresário que procura significado em tudo

O Tipo 4 é movido pela necessidade de autenticidade e de significado. É o empresário criativo, visionário, que não se contenta com soluções genéricas e que quer que o seu negócio seja genuinamente diferente. A sua capacidade de inovação e de branding é, frequentemente, excepcional.

O ponto cego? A busca constante por significado pode transformar-se em instabilidade emocional que afecta as decisões. Um Tipo 4 pode abandonar uma estratégia que está a funcionar porque "já não se identifica com ela". Pode desmotivar-se rapidamente com a parte operacional do negócio, que é repetitiva e pouco inspiradora. E pode criar uma cultura onde a intensidade emocional substitui a disciplina, o que dificulta a construção de processos e de consistência.

A pergunta que o Tipo 4 precisa de fazer: "Isto é uma decisão estratégica ou estou a reagir ao meu estado emocional de hoje?"

Tipo 5, o Observador: o empresário que sabe tudo mas faz pouco

O Tipo 5 é movido pela necessidade de compreender e de se sentir competente. É o empresário analítico, que pesquisa exaustivamente antes de tomar qualquer decisão, que domina os dados do negócio com uma profundidade que poucos igualam, e que raramente é apanhado desprevenido.

O ponto cego? Análise em excesso que se transforma em paralisia. O Tipo 5 pode passar meses a estudar um mercado antes de entrar, enquanto o concorrente, com metade da informação, já o conquistou. Tem dificuldade em partilhar informação com a equipa, não por má vontade mas porque acha que "ainda não sabe o suficiente para comunicar". E a sua tendência para o isolamento pode criar uma distância emocional com a equipa que mina a cultura organizacional sem que ele se aperceba.

A pergunta que o Tipo 5 precisa de fazer: "Tenho informação suficiente para decidir agora? Ou estou a usar a pesquisa como desculpa para não agir?"

Tipo 6, o Precavido: o empresário que vê riscos em todo o lado

O Tipo 6 é movido pela necessidade de segurança e de pertença. É o empresário que planeia para todos os cenários, que é excelente a identificar riscos, e que constrói equipas baseadas na lealdade e na confiança mútua. Quando te comprometes com um Tipo 6, tens um aliado para a vida.

O ponto cego? A hipervigilância ao risco pode tornar-se sabotagem ao crescimento. Um Tipo 6 pode recusar oportunidades legítimas porque vê riscos que, objectivamente, são geríveis. Pode criar uma cultura de desconfiança onde tudo precisa de múltiplas aprovações. E sob pressão, pode oscilar entre dois extremos igualmente problemáticos: paralisia total ou acção impulsiva para "resolver a ameaça" antes que se materialize. Uma boa análise SWOT pode ajudar o Tipo 6 a canalizar a sua capacidade de identificar ameaças de forma estruturada, separando os riscos reais dos imaginários.

A pergunta que o Tipo 6 precisa de fazer: "Estou a preparar-me para um risco real ou estou a criar problemas que não existem?"

Tipo 7, o Entusiasta: o empresário que começa tudo e não acaba nada

O Tipo 7 é movido pela necessidade de experiência e de estímulo. É o empresário cheio de ideias, que vê oportunidades em todo o lado, que contagia a equipa com a sua energia, e que é extraordinariamente criativo na fase de arranque de qualquer projecto.

O ponto cego? A aversão ao desconforto e ao tédio sabota a execução. O Tipo 7 pode ter cinco negócios em simultâneo e nenhum a funcionar bem. Começa projectos com entusiasmo e abandona-os quando a parte difícil e repetitiva chega. Tem dificuldade em comprometer-se com uma estratégia porque há sempre uma opção mais excitante ao virar da esquina. E a sua positividade constante, que à superfície parece uma qualidade, pode impedi-lo de ver e de enfrentar problemas reais que precisam de atenção urgente.

A pergunta que o Tipo 7 precisa de fazer: "Estou a avançar para isto porque é a melhor decisão, ou porque estou a fugir da dificuldade de terminar o que comecei?"

Tipo 8, o Controlador: o empresário que conquista mas que pode destruir

O Tipo 8 é movido pela necessidade de força e de controlo. É o empresário que não tem medo de nada, que toma decisões rápidas, que enfrenta conflitos de frente, e que tem uma capacidade de execução que impressiona e, por vezes, intimida.

O ponto cego? A intensidade que o torna eficaz pode tornar-se tirania que destrói a equipa. O Tipo 8 pode criar uma cultura de medo onde ninguém discorda do chefe. Pode tomar decisões unilaterais que ignoram perspectivas importantes. Pode interpretar vulnerabilidade como fraqueza, o que o impede de pedir ajuda quando precisa e de criar relações de confiança genuína com a equipa. E a sua tendência para o confronto pode afastar parceiros, clientes, e fornecedores que não suportam a intensidade.

A pergunta que o Tipo 8 precisa de fazer: "Estou a liderar ou estou a dominar? A minha equipa segue-me por convicção ou por medo?"

Tipo 9, o Pacificador: o empresário que mantém a paz à custa do progresso

O Tipo 9 é movido pela necessidade de harmonia e de paz interior. É o empresário diplomata, inclusivo, que ouve todos os lados, que cria consensos, e que tem uma capacidade de manter equipas unidas que é genuinamente rara.

O ponto cego? A aversão ao conflito transforma-se em inacção. O Tipo 9 pode adiar decisões importantes indefinidamente para evitar desagradar alguém. Pode tolerar desempenho medíocre porque confrontar a pessoa seria "criar problemas". Pode fundir-se com as opiniões dos outros ao ponto de perder a sua própria visão para o negócio. E a sua passividade pode ser interpretada pela equipa como falta de direcção, o que gera ansiedade e desalinhamento. Uma ferramenta como os OKRs pode ajudar o Tipo 9 a traduzir a sua visão em objectivos concretos que forçam decisões e priorização.

A pergunta que o Tipo 9 precisa de fazer: "Estou a manter a paz ou estou a evitar o crescimento?"

As três tríades e o que significam para a tua gestão

As três tríades e o que significam para a tua gestão

Além dos nove tipos individuais, o Eneagrama organiza-se em três tríades, ou centros de inteligência, que revelam algo fundamental sobre a forma como processas a realidade enquanto empresário.

  • Os Tipos 8, 9 e 1 formam a tríade instintiva, ligada ao corpo, à acção e ao controlo. Se estás neste grupo, a tua primeira reacção a qualquer situação é fazer alguma coisa. Quando surge um problema, a tua resposta natural é agir, decidir, mover. A vantagem é que não ficas parado. A desvantagem é que podes agir antes de pensar ou de sentir o impacto nos outros.

  • Os Tipos 2, 3 e 4 formam a tríade emocional, ligada ao coração, à identidade e à imagem. Se estás neste grupo, a tua primeira reacção é avaliar como a situação te afecta emocionalmente e como os outros te percebem. Tomas decisões com base no impacto relacional e na tua identidade profissional. A vantagem é uma inteligência emocional natural. A desvantagem é que podes priorizar como te sentes sobre o que é objectivamente melhor para o negócio.

  • Os Tipos 5, 6 e 7 formam a tríade mental, ligada à mente, à análise e à segurança. Se estás neste grupo, a tua primeira reacção é pensar, analisar, planear. Precisas de compreender antes de agir. A vantagem é a profundidade da análise. A desvantagem é que podes ficar preso na mente e nunca avançar para a execução.

Perceber em que tríade te situas é o primeiro passo para compensares as tuas lacunas. Se és da tríade instintiva, precisas de parar antes de agir e verificar se a tua decisão está informada e emocionalmente calibrada. Desacelerar 24 horas antes de qualquer decisão importante pode poupar-te erros que levam meses a corrigir. Se és da tríade emocional, precisas de separar o que sentes do que os dados te dizem, e criar mecanismos de decisão que incluam análise objectiva antes da intuição emocional. Se és da tríade mental, precisas de definir um limite para a análise e forçar-te a decidir com informação imperfeita, aceitando que 80% de certeza é frequentemente mais do que suficiente para avançar.

Eneagrama e a relação com o dinheiro: o ângulo que ninguém aborda

Cada tipo de Eneagrama tem uma relação diferente com o dinheiro e com as finanças do negócio, e esta dimensão é surpreendentemente pouco explorada na literatura sobre o tema. E no entanto, para um empresário, a forma como lida com dinheiro pode ser a diferença entre um negócio saudável e um negócio em permanente crise de tesouraria.

  • O Tipo 1 tende a ser conservador financeiramente, o que protege a empresa mas pode impedi-la de investir quando deveria.

  • O Tipo 2 gasta generosamente com a equipa e com os clientes mas negligencia as margens, porque pedir dinheiro ou subir preços "não fica bem".

  • O Tipo 3 investe agressivamente em tudo o que gere crescimento visível, mas pode ignorar a rentabilidade real.

  • O Tipo 4 tem uma relação emocional com o dinheiro que oscila entre períodos de abundância percebida e pânico financeiro.

  • O Tipo 5 acumula reservas mas resiste a gastar, mesmo quando o investimento se justifica claramente.

  • O Tipo 6 precisa de segurança financeira absoluta antes de dar qualquer passo, o que pode atrasar investimentos urgentes.

  • O Tipo 7 gasta com facilidade porque o dinheiro é um meio para experiências, não um recurso a preservar.

  • O Tipo 8 usa o dinheiro como instrumento de poder e toma decisões financeiras arrojadas.

  • O Tipo 9 evita olhar para os números porque "não é a minha área" e delega tudo ao contabilista sem supervisão.

Reconhecer qual destes padrões é o teu é o primeiro passo para o contrariar conscientemente. E para quem precisa de aprofundar a literacia financeira, o artigo sobre como ler demonstrações financeiras é um bom complemento prático a esta reflexão.

Eneagrama e a equipa: como o teu tipo influencia quem contratas e como lideras

Eneagrama e a equipa: como o teu tipo influencia quem contratas e como lideras

Há um fenómeno que observo com frequência e que o Eneagrama explica na perfeição: os empresários tendem a contratar pessoas semelhantes a si mesmos e a evitar pessoas complementares. O Tipo 8 contrata outros Tipos 8 porque admira a assertividade, e depois tem uma equipa de alfa que não se entende. O Tipo 9 contrata pessoas agradáveis e conciliadoras, e depois tem uma equipa que nunca discorda nem desafia. O Tipo 3 contrata fazedores que executam a grande velocidade, mas não tem ninguém na equipa que pare e pergunte "estamos a ir na direcção certa?"

Uma equipa de alto desempenho precisa de diversidade de tipos, não de clones do fundador. Precisa do rigor do Tipo 1, da empatia do Tipo 2, da execução do Tipo 3, da criatividade do Tipo 4, da análise do Tipo 5, da gestão de risco do Tipo 6, da inovação do Tipo 7, da coragem do Tipo 8, e do consenso do Tipo 9. Não todos na mesma dose, mas todos presentes.

O eBook Equipas de Excelência aprofunda esta lógica de complementaridade na construção de equipas, e é um recurso particularmente útil quando combinado com o autoconhecimento que o Eneagrama proporciona.

A forma como lideras também é directamente influenciada pelo teu tipo.

O Tipo 1 lidera pelo exemplo e pela exigência, o que cria equipas disciplinadas mas potencialmente rígidas. O Tipo 2 lidera pela relação, o que cria lealdade mas pode gerar dependência. O Tipo 3 lidera pela energia e pela direcção, o que cria resultados mas pode desumanizar. O Tipo 8 lidera pela força e pela protecção, o que cria respeito mas pode intimidar. Cada estilo tem virtudes e armadilhas. Conhecer o teu estilo, através do Eneagrama, não é para mudares quem és. É para compensares conscientemente o que o teu estilo não cobre naturalmente.

Eneagrama sob pressão: quando o empresário perde o seu melhor

Uma das dimensões mais valiosas do Eneagrama para o contexto empresarial é a forma como descreve o comportamento de cada tipo sob stress. Porque é sob stress que tomamos as piores decisões, e é exactamente nesses momentos que o autoconhecimento faz mais falta.

Cada tipo tem uma linha de desintegração, um padrão de comportamento para o qual regride quando está sob pressão extrema. O Tipo 1, normalmente disciplinado, regride para comportamentos do Tipo 4 e torna-se emocionalmente instável e autocrítico. O Tipo 3, normalmente confiante, regride para comportamentos do Tipo 9 e torna-se passivo e desligado. O Tipo 7, normalmente optimista, regride para comportamentos do Tipo 1 e torna-se rígido e hipercrítico.

Conhecer a tua linha de desintegração é como ter um sistema de alerta. Quando começas a comportar-te de forma que não é habitual em ti, é um sinal de que estás sob mais pressão do que reconheces. E esse sinal dá-te a oportunidade de parar, reconhecer o que está a acontecer, e escolher uma resposta mais consciente em vez de reagir no piloto automático.

Da mesma forma, cada tipo tem uma linha de integração, o padrão para o qual evolui quando está saudável e seguro. O Tipo 1 integra qualidades do Tipo 7, tornando-se mais espontâneo e alegre. O Tipo 3 integra qualidades do Tipo 6, tornando-se mais leal e colaborativo. Conhecer a tua linha de integração mostra-te o caminho de crescimento, as qualidades que precisas de desenvolver para te tornares um empresário, e um ser humano, mais completo.

Como usar o Eneagrama na prática: não é um teste, é um processo

Como usar o Eneagrama na prática: não é um teste, é um processo

Há uma tentação natural de fazer um teste online, descobrir o tipo, e considerar que "já está". Isto é o equivalente empresarial de ler a introdução de um livro e achar que já o leste. O Eneagrama não é um rótulo. É um mapa de desenvolvimento que se aprofunda ao longo de meses e anos.

O primeiro passo é identificar o teu tipo com rigor. Os testes online podem ser um ponto de partida, mas são frequentemente imprecisos porque dependem da tua auto-percepção, que é, por definição, filtrada pelos mesmos padrões inconscientes que o Eneagrama tenta revelar. A forma mais fiável de identificar o teu tipo é trabalhar com um profissional certificado, ou participar numa formação onde o sistema é explorado em profundidade e com orientação.

O segundo passo é observar os teus padrões em acção. Depois de identificares o teu tipo, começa a reparar nos momentos do dia a dia em que o padrão se manifesta. O Tipo 3 que se apanha a verificar o telemóvel às 23h "para ver se há algum email importante" está a alimentar a sua necessidade de se sentir produtivo, não a ser produtivo. O Tipo 6 que cancela uma reunião com um potencial investidor porque "ainda não preparei tudo" está a ceder à sua necessidade de segurança, não a ser prudente. A observação sem julgamento é a chave. Não se trata de te criticares. Trata-se de te veres com clareza.

O terceiro passo é criar práticas compensatórias. Se és Tipo 5 e sabes que tendes a isolar-te, agenda reuniões individuais semanais com cada membro da equipa e cumpre religiosamente. Se és Tipo 7 e sabes que abandonas projectos, cria um sistema onde não podes iniciar um projecto novo sem ter fechado ou delegado o anterior. Se és Tipo 1 e sabes que a perfeição te paralisa, define deadlines não negociáveis para cada entrega e obriga-te a cumpri-las mesmo que o trabalho esteja a "apenas" 90%.

A imersão CHECKMATE: Gestão inclui o Eneagrama como uma das ferramentas do programa, precisamente porque percebemos que os empresários que se conhecem a si próprios tomam melhores decisões, constroem melhores equipas, e gerem melhor o crescimento do negócio. É numa sala com outros empresários, cada um com o seu tipo e os seus padrões, que a riqueza do sistema se revela verdadeiramente. Porque ao veres os outros, vês-te a ti com uma clareza que nunca terias sozinho.

Eneagrama e a tomada de decisão: os pontos cegos que custam dinheiro

Cada tipo de Eneagrama tem pontos cegos específicos na tomada de decisão, e esses pontos cegos custam dinheiro real ao negócio. Não é uma metáfora. São decisões concretas que se repetem e que corroem a rentabilidade sem que o empresário perceba a origem do problema.

  • O Tipo 1 perde dinheiro em re-trabalho excessivo e em atrasos de lançamento por perfeccionismo.

  • O Tipo 2 perde dinheiro em concessões a clientes e em remunerações desajustadas porque não consegue dizer não.

  • O Tipo 3 perde dinheiro em projectos que parecem impressionantes mas que não são rentáveis.

  • O Tipo 4 perde dinheiro em mudanças de direcção emocionais que invalidam investimentos já feitos.

  • O Tipo 5 perde dinheiro em oportunidades não aproveitadas porque precisava de "mais dados".

  • O Tipo 6 perde dinheiro em excesso de seguros, de planos de contingência, e de aprovações que atrasam tudo.

  • O Tipo 7 perde dinheiro em projectos iniciados e abandonados.

  • O Tipo 8 perde dinheiro em decisões unilaterais que aliena parceiros e em conflitos que podiam ter sido evitados.

  • O Tipo 9 perde dinheiro em inacção, em problemas que crescem porque ninguém os enfrenta, e em mediocridade tolerada que afasta os melhores colaboradores.

Quando quantificas o custo dos teus padrões inconscientes, o investimento em autoconhecimento deixa de parecer um luxo e passa a parecer o que é: uma das decisões com melhor retorno que podes tomar. Se o teu planeamento estratégico inclui objectivos financeiros, métricas de desempenho, e planos de acção, mas não inclui uma reflexão sobre quem tu és e como isso afecta cada decisão que tomas, está incompleto.

Para quem quer iniciar este caminho de diagnóstico, o diagnóstico empresarial gratuito que disponibilizamos é um bom ponto de partida para identificar as áreas da gestão que mais precisam de atenção, antes de aprofundar com o Eneagrama.

Conclusão

Conclusão

O Eneagrama não é a resposta para todos os desafios de gestão. Nenhuma ferramenta é. Mas é, na minha experiência, a ferramenta de autoconhecimento mais poderosa que um empresário pode usar, porque vai à raiz dos padrões que determinam como decides, como lideras, como comunicas, como lidas com pressão, e como te relacionas com o dinheiro, com o risco, e com as pessoas. Quando percebes o teu tipo, não descobres apenas algo sobre ti. Descobres algo sobre a tua empresa, porque a empresa é, em grande medida, uma extensão da personalidade de quem a fundou. Os pontos fortes do negócio são quase sempre os pontos fortes do fundador. E os problemas crónicos do negócio são, mais vezes do que gostaríamos de admitir, os pontos cegos do fundador amplificados pela escala. Se há algo que deves fazer depois de ler este artigo é resistir à tentação de te classificares rapidamente e avançar. Senta-te com cada descrição. Relê os pontos cegos com honestidade. Pergunta às pessoas mais próximas, ao teu sócio, ao teu braço direito, ao teu cônjuge, qual dos tipos lhes parece mais parecido contigo, e prepara-te para ouvir respostas que podem surpreender. Porque o autoconhecimento genuíno não é confortável. É confrontador, por vezes desconfortável. É o momento em que olhas para o espelho e vês, pela primeira vez, aquilo que toda a gente à tua volta já via há anos. Mas é também o momento mais libertador de uma carreira empresarial, porque a partir do momento em que vês o padrão, podes escolher não o repetir. E essa escolha, repetida vezes sem conta nas decisões grandes e pequenas do dia a dia, é o que separa o empresário que cresce do empresário que anda em círculos.

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