O que é o funil de vendas e como construir um para o teu negócio

Vendas

Há um padrão que se repete em quase todas as PME que crescem por impulso em vez de crescerem por sistema. As vendas chegam, mas ninguém sabe muito bem porquê. Há meses em que tudo flui, os clientes aparecem, os negócios fecham, e a sensação é de que a empresa está no bom caminho. E depois há meses em que a seca se instala sem aviso, e ninguém consegue explicar o que mudou. O empresário reage com mais esforço, mais chamadas, mais propostas, mais desconto, sem perceber onde está o verdadeiro problema. O problema, na maioria dos casos, não é de esforço. É de sistema. A empresa não tem um funil de vendas estruturado. Tem pessoas que vendem, tem clientes que compram, tem receita que entra, mas não tem um processo claro e repetível que transforma desconhecidos em clientes de forma previsível. E sem esse processo, o crescimento das vendas depende sempre da energia de quem vende, e não da arquitectura do negócio. Um funil de vendas bem construído não elimina o esforço comercial. Torna esse esforço previsível, escalável, e muito mais eficiente. É a diferença entre vender por sorte organizada e vender por sistema. E esta diferença, a médio prazo, é o que separa as empresas que crescem de forma consistente das que ficam presas num ciclo de altos e baixos que ninguém consegue controlar.

Há um padrão que se repete em quase todas as PME que crescem por impulso em vez de crescerem por sistema. As vendas chegam, mas ninguém sabe muito bem porquê. Há meses em que tudo flui, os clientes aparecem, os negócios fecham, e a sensação é de que a empresa está no bom caminho. E depois há meses em que a seca se instala sem aviso, e ninguém consegue explicar o que mudou. O empresário reage com mais esforço, mais chamadas, mais propostas, mais desconto, sem perceber onde está o verdadeiro problema. O problema, na maioria dos casos, não é de esforço. É de sistema. A empresa não tem um funil de vendas estruturado. Tem pessoas que vendem, tem clientes que compram, tem receita que entra, mas não tem um processo claro e repetível que transforma desconhecidos em clientes de forma previsível. E sem esse processo, o crescimento das vendas depende sempre da energia de quem vende, e não da arquitectura do negócio. Um funil de vendas bem construído não elimina o esforço comercial. Torna esse esforço previsível, escalável, e muito mais eficiente. É a diferença entre vender por sorte organizada e vender por sistema. E esta diferença, a médio prazo, é o que separa as empresas que crescem de forma consistente das que ficam presas num ciclo de altos e baixos que ninguém consegue controlar.

Paulo Faustino

Paulo Faustino

O que é, de facto, o funil de vendas

O que é, de facto, o funil de vendas

O funil de vendas é a representação visual do percurso que um potencial cliente faz desde o momento em que ouve falar da tua empresa pela primeira vez até ao momento em que efectua uma compra. É chamado funil porque, tal como num funil real, entra mais volume em cima do que sai em baixo: há muitas pessoas que tomam contacto com a empresa, menos que mostram interesse activo, ainda menos que avaliam a compra de forma séria, e uma fracção que efectivamente compra.

Esta metáfora é útil porque obriga a pensar no processo de vendas como um sistema com fases distintas, e não como um evento único que acontece quando o cliente decide comprar. Perceber onde estão os potenciais clientes em cada fase, e o que é necessário fazer para os acompanhar de uma fase para a seguinte, é o núcleo de qualquer estratégia comercial que funcione em escala.

Na sua forma mais clássica, o funil divide-se em três grandes zonas que correspondem a momentos diferentes da relação com o potencial cliente.

O topo do funil, frequentemente referido pela sigla inglesa TOFU (Top of Funnel), é a zona da consciência e da descoberta. Aqui encontram-se as pessoas que ainda não conhecem a tua empresa ou que acabaram de tomar contacto com ela. Não estão necessariamente à procura do que vendes, mas podem estar a enfrentar o problema que o teu produto ou serviço resolve. O objectivo nesta fase não é vender. É gerar visibilidade, criar interesse, e fazer com que o potencial cliente perceba que existe uma solução para aquilo que o incomoda.

O meio do funil, o MOFU (Middle of Funnel), é a zona da consideração. Aqui estão as pessoas que já reconhecem que têm um problema, que já sabem que a tua empresa existe, e que estão a avaliar se é uma boa opção para elas. O contacto é mais activo, as perguntas são mais específicas, e a necessidade de informação de qualidade é maior. O objectivo nesta fase é construir confiança, demonstrar competência, e ajudar o potencial cliente a perceber que a tua oferta é a resposta certa para a sua situação concreta.

O fundo do funil, o BOFU (Bottom of Funnel), é a zona da decisão. Aqui estão as pessoas que já decidiram que querem resolver o problema, que já avaliaram as opções disponíveis, e que estão prontas para tomar uma decisão. O objectivo nesta fase é remover os últimos obstáculos à compra, responder às últimas objecções, e tornar o processo de decisão o mais simples e seguro possível para o cliente.

Esta divisão em três zonas é uma simplificação, e diferentes modelos de funil têm mais ou menos etapas dependendo da complexidade do processo de vendas. Mas a lógica central é sempre a mesma: o funil existe para garantir que a empresa tem uma resposta adequada para cada momento do percurso do cliente, em vez de aplicar a mesma abordagem a pessoas que estão em momentos completamente diferentes da sua decisão.

Por que a maioria das PME não tem funil, e o que isso custa

A ausência de funil de vendas raramente é uma decisão consciente. É o resultado de uma forma de crescer que funciona nas fases iniciais e que depois se torna o maior obstáculo ao crescimento seguinte.

Nas primeiras fases de vida de um negócio, as vendas chegam por rede de contactos, por referências, por reputação local, e pela energia do fundador que consegue estar em todo o lado ao mesmo tempo. Não há necessidade de funil porque o processo é curto: alguém conhece a empresa, fala directamente com o fundador, e a decisão acontece em pouco tempo. Esta informalidade funciona até certo ponto, e muitas empresas chegam a um volume de negócio respeitável sem nunca ter estruturado um processo comercial.

O problema instala-se quando a empresa quer crescer para além da capacidade pessoal do fundador. Para crescer, precisas de contratar pessoas para vender. Para contratar pessoas para vender, precisas de lhes dar um processo que possam seguir. Para ter um processo que possam seguir, precisas de um funil estruturado. Sem ele, a contratação comercial é um investimento de alto risco: cada vendedor vai reinventar o processo à sua maneira, os resultados vão ser inconsistentes, e a gestão comercial vai depender inteiramente da intuição de cada pessoa.

A ausência de funil tem um custo que raramente é calculado porque nunca aparece numa linha de resultados. É o custo das oportunidades que se perdem porque não havia processo para as acompanhar. O potencial cliente que pediu informações e nunca foi contactado de volta. A proposta que foi enviada mas nunca foi seguida. O cliente que comprou uma vez e nunca mais foi abordado para uma segunda compra. A referência que chegou num momento em que ninguém tinha tempo para a tratar bem. Cada uma destas situações é receita que existia e que desapareceu não por falta de produto ou de mercado, mas por falta de processo.

Há também o custo da inconsistência. Sem funil, os resultados comerciais variam em função de quem está disponível, de como foi o dia, da energia que sobra depois de resolver os problemas operacionais. Esta variância é o que torna o planeamento financeiro tão difícil nas empresas sem processo comercial estruturado: não há forma fiável de prever a receita do mês seguinte porque não há visibilidade sobre o que está no pipeline de vendas.

As métricas que o funil revela, e que sem funil nunca vês

As métricas que o funil revela, e que sem funil nunca vês

Um dos benefícios menos óbvios de ter um funil de vendas estruturado é que ele torna visível informação que de outra forma permanece invisível. Quando o processo está documentado e as fases estão definidas, é possível medir o que acontece em cada etapa, e essa medição revela onde estão os problemas.

A taxa de conversão entre fases é a métrica fundamental do funil. Diz-te que percentagem dos potenciais clientes que entram numa fase avançam para a fase seguinte. Uma taxa de conversão muito baixa num ponto específico do funil identifica exactamente onde está o problema: pode ser que o topo esteja a atrair as pessoas erradas, que o meio não esteja a construir confiança suficiente, ou que o fundo esteja a criar atrito em vez de facilitar a decisão.

O tempo médio de cada fase mostra quanto tempo os potenciais clientes ficam em cada etapa antes de avançar ou desistir. Um tempo muito longo numa fase específica pode indicar falta de acompanhamento, processo de decisão complexo do lado do cliente, ou informação insuficiente para que a pessoa avance com confiança.

O volume de oportunidades em cada fase dá-te uma previsão da receita futura. Se consegues calcular a taxa de conversão histórica de cada fase, e se sabes quantas oportunidades existem hoje no meio e no fundo do funil, tens uma estimativa razoável da receita que deve chegar nas próximas semanas ou meses. Esta previsibilidade é um dos activos mais valiosos de uma empresa comercialmente madura.

O custo de aquisição de cliente, frequentemente chamado de CAC, é outra métrica que o funil torna calculável. Quando sabes quantas pessoas precisas de trazer ao topo do funil para fechar um cliente, e sabes o que custa trazer cada pessoa ao topo, consegues calcular o custo real de cada novo cliente. Esta informação é essencial para perceber se o modelo comercial é sustentável e para tomar decisões de investimento em vendas com fundamento real.

Sem funil estruturado, todas estas métricas são invisíveis. Sabes quantos clientes tens e quanta receita entrou, mas não sabes porquê. Não sabes onde estás a perder oportunidades, não consegues prever o que vai acontecer, e não tens informação para melhorar.

Como construir o funil de vendas do teu negócio: passo a passo

Construir um funil de vendas não requer tecnologia sofisticada nem um departamento comercial de grande dimensão. Requer clareza sobre o processo que já existe, mesmo que informalmente, e a disciplina para o documentar, medir e melhorar sistematicamente.

O primeiro passo é mapear o percurso real do teu cliente. Não o percurso ideal que gostavas que ele fizesse, mas o percurso que os teus melhores clientes de facto fizeram desde que ouviram falar da empresa pela primeira vez até à primeira compra. Faz este exercício com os últimos dez clientes que fechaste: como é que te descobriram? O que fizeram antes de te contactar? Que perguntas fizeram? Quanto tempo demorou desde o primeiro contacto até à decisão? O que os fez decidir? As respostas a estas perguntas contêm o mapa do teu funil real.

O segundo passo é definir as fases. Com base no mapeamento anterior, identifica os momentos distintos que existem no percurso: o momento em que a pessoa toma consciência da tua empresa, o momento em que demonstra interesse activo, o momento em que pede uma proposta ou demonstração, o momento em que a decisão está iminente, e o momento em que a compra acontece. Cada negócio tem um percurso ligeiramente diferente, e as fases do teu funil devem reflectir o que acontece de verdade no teu mercado específico, e não um modelo genérico copiado de um livro.

O terceiro passo é definir o que acontece em cada fase. Para cada etapa do funil, precisas de responder a três perguntas: o que é que o potencial cliente precisa nesta fase, o que é que a tua empresa faz nesta fase, e o que determina que a pessoa está pronta para avançar para a fase seguinte. Este critério de avanço, o que os anglo-saxónicos chamam de exit criteria, é o que transforma um funil teórico num processo operacional. Sem ele, as fases são apenas etiquetas sem consequências práticas.

O quarto passo é criar os materiais e as interacções de cada fase. O topo do funil precisa de conteúdo que crie visibilidade e que responda às perguntas que os potenciais clientes têm antes de saber que precisam de ti. O meio do funil precisa de demonstrações, casos de estudo, testemunhos, e informação que construa confiança e que mostre competência. O fundo do funil precisa de propostas claras, garantias, e um processo de decisão simples que remova o atrito da compra. Cada fase tem necessidades diferentes, e um funil bem construído tem respostas diferentes para cada uma delas.

O quinto passo é implementar um sistema de acompanhamento. Um funil sem acompanhamento é apenas um diagrama bonito. Na prática, precisas de uma forma de registar onde está cada oportunidade, de ser alertado quando uma oportunidade está parada há demasiado tempo, e de garantir que nenhuma pessoa que demonstrou interesse fica sem resposta. Nas fases iniciais, isto pode ser feito com uma folha de cálculo simples. Quando o volume cresce, um CRM básico torna o processo muito mais gerível.

O sexto passo, que a maioria das empresas nunca faz, é medir e ajustar. Um funil não é um documento estático. É um sistema vivo que deve ser revisto regularmente com base nos dados que vai gerando. Onde estás a perder mais oportunidades? Qual é a fase com a taxa de conversão mais baixa? O que mudou nas últimas semanas que pode explicar a variação nos resultados? Estas revisões regulares são o que transforma um funil de vendas numa vantagem competitiva crescente, em vez de uma formalidade que se faz uma vez e depois se esquece.

Funil de vendas vs processo de vendas: qual é a diferença?

Funil de vendas vs processo de vendas: qual é a diferença?

Há uma confusão frequente entre funil de vendas e processo de vendas que vale a pena clarificar porque os dois conceitos, embora relacionados, servem propósitos diferentes.

O funil de vendas é a perspectiva do mercado: quantas pessoas estão em cada fase, qual é a taxa de conversão entre fases, e qual é a previsão de receita com base no que está no pipeline de vendas. É uma ferramenta de gestão e de análise que dá visibilidade ao estado do negócio em termos comerciais.

O processo de vendas é a perspectiva operacional: o que faz cada pessoa da equipa comercial, em que sequência, com que argumentos, e com que materiais de suporte, para acompanhar um potencial cliente pelo funil. É uma ferramenta de execução que garante consistência e que permite formar novos vendedores de forma mais rápida.

Os dois são complementares e um não funciona bem sem o outro. Podes ter um processo de vendas excelente e não saber quantas oportunidades tens nem em que fase estão, o que te impede de gerir a equipa e prever a receita. E podes ter visibilidade total sobre o funil mas não ter um processo claro para executar, o que torna a gestão ineficaz porque cada vendedor faz à sua maneira.

Nas empresas mais maduras, o funil é o instrumento de gestão que a liderança usa para monitorizar o negócio, e o processo de vendas é o instrumento operacional que a equipa usa para executar. Construir os dois em paralelo, com coerência entre eles, é o que cria uma função comercial verdadeiramente profissional.

Os diferentes tipos de funil: B2B, B2C e serviços

A estrutura básica do funil é universal, mas a sua aplicação prática varia significativamente consoante o tipo de negócio, o ciclo de decisão do cliente, e o nível de envolvimento necessário em cada fase.

Nos negócios B2B, o funil tende a ser mais longo e mais complexo. As decisões envolvem múltiplas pessoas, os valores em jogo são maiores, e o processo de validação é mais rigoroso. Um funil B2B típico pode incluir fases como a qualificação inicial, a reunião de descoberta, a demonstração ou proposta técnica, a negociação comercial, e o fecho. Cada uma destas fases pode demorar semanas ou meses, e o acompanhamento precisa de ser muito mais estruturado do que num processo de decisão mais curto.

Nos negócios B2C, especialmente os de compra por impulso ou de baixo valor, o funil é muito mais comprimido. A fase de consciência e a fase de decisão podem acontecer na mesma visita ao site ou na mesma interacção nas redes sociais. Aqui, a prioridade é remover o máximo de atrito possível no momento da decisão e garantir que a experiência de compra é simples e rápida. O topo do funil é muitas vezes alimentado por publicidade ou por conteúdo orgânico, e o fundo é dominado pela qualidade da experiência de compra.

Nos negócios de serviços, o funil tem uma característica particular: a confiança é um factor decisivo em todas as fases. Contratar um advogado, um consultor, um arquitecto, ou uma empresa de contabilidade são decisões em que o potencial cliente está a delegar algo importante numa pessoa ou empresa que ainda não conhece bem. Por isso, o meio do funil, a fase em que a confiança se constrói, é crítico e merece muito mais atenção do que nos modelos de produto.

Para perceber como a tua empresa se enquadra nestes modelos e identificar onde o funil tem mais oportunidade de melhoria, o diagnóstico comercial é um ponto de partida útil antes de redesenhar o processo comercial.

Topo, meio e fundo: como alimentar cada fase do funil

Topo, meio e fundo: como alimentar cada fase do funil

Perceber a estrutura do funil é o começo. O que a maioria das empresas falha é na criação deliberada de condições para que as pessoas avancem de uma fase para a seguinte. Cada zona do funil precisa de uma estratégia própria.

Alimentar o topo do funil é o desafio mais visível, porque é o que normalmente se associa a "fazer marketing". Mas alimentar o topo não significa fazer barulho. Significa chegar às pessoas certas no momento em que estão a reconhecer que têm um problema que precisa de ser resolvido. Conteúdo de blog que responde às perguntas que o teu potencial cliente faz antes de comprar, presença nas redes sociais que demonstra competência no tema que importa ao teu cliente, referências de clientes existentes, participação em eventos do sector, publicidade dirigida ao perfil certo. O topo do funil está sempre a perder pessoas que saem sem avançar. O objectivo é que as que entram sejam cada vez mais qualificadas e que a taxa de saída seja cada vez menor.

Nutrir o meio do funil é onde a maioria das empresas perde mais oportunidades, e onde há mais espaço para melhoria sem investimento adicional. As pessoas que estão no meio do funil já demonstraram interesse: vieram a um evento, pediram informações, responderam a uma mensagem, visitaram o site várias vezes. O problema é que muitas empresas tratam este interesse como se fosse intenção de compra imediata, e quando a pessoa não compra logo, desistem. A realidade é que a maioria das compras não acontece no primeiro contacto. Acontece depois de vários pontos de contacto ao longo de um período que pode variar de dias a meses. Nutrir o meio do funil significa manter a relação activa, entregar valor continuamente, e estar presente quando a pessoa chega ao momento de decisão.

Fechar o fundo do funil é onde o processo de vendas e as competências individuais dos vendedores têm mais impacto. Aqui, a pessoa já quer comprar. O que impede a decisão são as objecções que ainda não foram respondidas de forma satisfatória, o atrito que existe no processo de compra, e a falta de confiança suficiente para assumir o compromisso. Um funil bem construído no fundo tem respostas preparadas para as objecções mais frequentes, o que o Baralho de Objecções trabalha de forma muito prática, tem um processo de proposta claro e profissional, e tem mecanismos que reduzem a percepção de risco da compra como garantias, provas sociais, ou a possibilidade de começar com um compromisso menor.

Os erros mais comuns na gestão do funil de vendas

Mesmo com um funil desenhado, há padrões de erro que se repetem e que comprometem a eficácia do processo.

Entupir o topo e ignorar o meio. É o erro mais frequente nas empresas que investem em marketing mas que não investem em acompanhamento. Geram interesse, criam leads, e depois não têm processo para os acompanhar. O resultado é um topo muito cheio e um fundo muito vazio, com uma taxa de conversão geral muito baixa. O investimento em trazer pessoas ao funil é desperdiçado porque não há quem as acompanhe quando chegam.

Saltar fases. A impaciência de chegar ao fecho leva muitos vendedores e empresários a tentar vender antes de a confiança estar construída. Enviar uma proposta de preço a uma pessoa que ainda está em fase de descoberta é um sinal de que não percebeste onde ela está no seu percurso de decisão. Cada fase do funil existe por uma razão, e queimar etapas raramente acelera o processo. Frequentemente atrasa-o ou mata-o.

Não seguir leads frios. Uma pessoa que não respondeu ao último contacto não é uma pessoa que não vai comprar. É uma pessoa que naquele momento não estava pronta. A maioria das vendas acontece depois de vários pontos de contacto, e muitas empresas desistem muito antes de chegar a esse ponto. Ter um processo de reactivação periódica de leads frios é uma das formas mais baratas de gerar receita adicional, porque estas pessoas já passaram pelo topo do funil e o investimento de aquisição já foi feito.

Confundir actividade com progresso. Muitos CRMs estão cheios de oportunidades que parecem activas mas que estão há meses na mesma fase sem avançar. A actividade, as chamadas feitas, os emails enviados, não é o mesmo que o progresso no funil. O que interessa é se a oportunidade avançou de fase ou não, e se não avançou, perceber porquê e decidir o que fazer: investir mais no acompanhamento ou reconhecer que não vai fechar e libertar o espaço para oportunidades com mais probabilidade.

Não medir a taxa de conversão entre fases. Um funil que não é medido é um funil que não melhora. A taxa de conversão entre fases é o número mais importante da gestão comercial, e a maioria das empresas não o sabe. Sem esta informação, as decisões de melhoria são baseadas em intuição e não em dados.

Como qualificar oportunidades dentro do funil

Ter muita actividade no topo do funil não é necessariamente uma boa notícia se as pessoas que entram não têm perfil para comprar. Um funil entupido com oportunidades que nunca vão fechar é um problema tão sério quanto um funil vazio, porque consome tempo e atenção que podia ser dedicado a quem tem de facto potencial para se tornar cliente.

A qualificação de oportunidades é o processo de determinar, o mais cedo possível, se um potencial cliente tem as condições necessárias para se tornar cliente. Não se trata de ser selectivo por capricho, mas de alocar os recursos comerciais, que são sempre limitados, onde têm maior probabilidade de gerar retorno.

Existem vários modelos de qualificação. O mais clássico é o B.A.N.T., um acrónimo que avalia quatro dimensões: Budget (tem orçamento para comprar?), Authority (a pessoa com quem estás a falar tem poder de decisão?), Need (tem uma necessidade real que o teu produto ou serviço resolve?) e Timeline (tem urgência ou horizonte temporal definido para decidir?). Nas vendas B2B mais complexas, outros modelos como o M.E.D.D.I.C. ou o C.H.A.M.P. aprofundam ainda mais a qualificação, mas o princípio é sempre o mesmo: antes de investir tempo numa oportunidade, percebe se ela tem condições reais para fechar.

A realidade do mercado é que a qualificação acontece muitas vezes de forma informal durante os primeiros contactos. Uma conversa inicial bem conduzida consegue revelar se o potencial cliente tem orçamento disponível, se está a falar com a pessoa certa, e se o problema que quer resolver é suficientemente urgente para justificar uma decisão a curto prazo. O erro não é não usar uma metodologia formal. O erro é não fazer as perguntas certas nos momentos certos, e avançar com oportunidades que nunca tinham condições para fechar.

A qualificação tem também uma dimensão de alinhamento de expectativas. Quando clarificas desde o início o que a tua empresa faz e para quem o faz, filtrares naturalmente as oportunidades que não são adequadas, o que poupa tempo a ambas as partes e preserva a reputação da empresa. Um potencial cliente que percebe que a tua oferta não é a solução certa para ele, e que isso lhe é comunicado com clareza e respeito, tende a ficar com uma impressão positiva que pode resultar numa referência futura.

A qualificação não termina na entrada do funil. Ao longo das fases, a informação sobre cada oportunidade vai-se tornando mais completa, e é normal que oportunidades que pareciam promissoras se revelem inadequadas mais à frente. Saber desqualificar uma oportunidade a tempo, em vez de a arrastar pelo funil durante meses sem progresso, é um sinal de maturidade comercial que liberta energia para as oportunidades certas.

Funil de vendas e retenção: o pós-venda como nova entrada no funil

Há uma dimensão do funil de vendas que a maioria das empresas trata como separada, mas que na realidade é uma das mais rentáveis: o que acontece depois da primeira compra.

Um cliente que comprou uma vez já passou por todo o percurso de construção de confiança que o topo e o meio do funil requerem. Voltar a vender a este cliente custa uma fracção do que custa adquirir um novo, e a taxa de sucesso é significativamente mais alta. Ignorar o potencial comercial da base de clientes existente é um dos maiores desperdícios que existe na gestão comercial de uma PME.

O funil de retenção e upsell começa no momento em que a primeira compra acontece. A qualidade da experiência de entrega, a forma como a empresa gere o pós-venda, e a regularidade com que mantém a relação activa são os factores que determinam se o cliente vai voltar, se vai comprar mais, e se vai recomendar a empresa a outros. O NPS (Net Promoter Score), o índice de satisfação que mede a probabilidade de recomendação, é o indicador que reflecte a saúde desta parte do funil.

Uma empresa com uma base de clientes satisfeitos e com um processo activo de retenção tem o topo do funil parcialmente alimentado de forma gratuita, porque as referências e as recomendações orgânicas são as fontes de leads com maior taxa de conversão e menor custo de aquisição. O funil de vendas não termina no fecho. O fecho é o início de uma nova relação que, se bem gerida, se torna a fonte mais eficiente de crescimento da empresa.

Para quem quer aprofundar a construção do processo comercial de raiz e aprender a gerir um funil de vendas com equipas comerciais reais, a imersão CHECKMATE: Comercial foi desenhada exactamente para trabalhar estes desafios de forma prática e intensiva, com empresários e diretores comerciais que estão a construir ou a profissionalizar o seu departamento de vendas.

Conclusão

Conclusão

O funil de vendas não é um conceito reservado às grandes empresas com departamentos de marketing sofisticados. É uma ferramenta essencial para qualquer negócio que queira crescer de forma consistente e que não queira depender da sorte ou da energia de uma só pessoa para gerar receita. Quando está bem construído, o funil transforma o processo comercial num sistema que qualquer equipa pode operar, que gera dados para melhorar continuamente, e que cria previsibilidade numa área que para muitas PME é uma fonte permanente de incerteza. O caminho para ter um funil que funcione começa sempre pela honestidade sobre o que existe hoje. Não pelo funil ideal, mas pelo processo real que a empresa já usa, com todas as suas lacunas e inconsistências. A partir desse mapeamento honesto, cada melhoria que se implementa é um passo na direcção de um negócio comercialmente mais maduro, mais previsível, e mais escalável.

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