Há uma pergunta que todo o empresário devia fazer antes de assinar qualquer contrato, contratar qualquer pessoa ou lançar qualquer campanha. Não é "quanto custa?". É "quanto é que isto vai gerar?". A diferença entre as duas perguntas é a diferença entre gerir por instinto e gerir com inteligência. E o ROI (Return on Investment), ou retorno sobre o investimento, é a métrica que transforma essa segunda pergunta numa resposta concreta. Curiosamente, o ROI é um dos conceitos mais citados no mundo empresarial e um dos mais mal aplicados. Muitos empresários sabem que existe, alguns até calculam de vez em quando, mas poucos o usam de forma sistemática como ferramenta de decisão. Continuam a investir com base na intuição, na pressão de fornecedores, ou simplesmente porque "os outros também estão a fazer". E depois questionam-se porque é que o dinheiro nunca chega onde devia. Neste artigo vais perceber o que é o ROI, como calculá-lo corretamente, como interpretá-lo, e o mais importante, como usá-lo para tomares melhores decisões no teu negócio.

Há uma pergunta que todo o empresário devia fazer antes de assinar qualquer contrato, contratar qualquer pessoa ou lançar qualquer campanha. Não é "quanto custa?". É "quanto é que isto vai gerar?". A diferença entre as duas perguntas é a diferença entre gerir por instinto e gerir com inteligência. E o ROI (Return on Investment), ou retorno sobre o investimento, é a métrica que transforma essa segunda pergunta numa resposta concreta. Curiosamente, o ROI é um dos conceitos mais citados no mundo empresarial e um dos mais mal aplicados. Muitos empresários sabem que existe, alguns até calculam de vez em quando, mas poucos o usam de forma sistemática como ferramenta de decisão. Continuam a investir com base na intuição, na pressão de fornecedores, ou simplesmente porque "os outros também estão a fazer". E depois questionam-se porque é que o dinheiro nunca chega onde devia. Neste artigo vais perceber o que é o ROI, como calculá-lo corretamente, como interpretá-lo, e o mais importante, como usá-lo para tomares melhores decisões no teu negócio.

Paulo Faustino

Paulo Faustino

O que é o ROI, afinal?

O que é o ROI, afinal?

ROI é uma sigla inglesa que significa Return on Investment, ou seja, retorno sobre o investimento. É uma métrica financeira que mede a eficiência ou a rentabilidade de um investimento, expressando o ganho (ou perda) gerado em relação ao custo desse investimento.

Em termos simples: o ROI diz-te quantos euros ganhas por cada euro que investes. Se investes 1.000 euros numa campanha de marketing e essa campanha gera 3.000 euros em vendas, o teu ROI é positivo e significativo. Se investes os mesmos 1.000 euros e geras 800 euros em vendas, o teu ROI é negativo, ou seja, perdeste dinheiro.

Parece simples assim descrito, e na essência é. Mas a verdade é que a maioria dos empresários nunca calcula o ROI dos seus investimentos com esta clareza. Vêem a faturação crescer e assumem que tudo está a funcionar. Não se dão ao trabalho de perceber o que está a causar esse crescimento, quanto custou gerá-lo e se o custo faz sentido face ao retorno.

O ROI resolve exatamente esse problema. É a métrica que coloca a rentabilidade em perspetiva, não apenas "estamos a ganhar dinheiro?", mas "estamos a ganhar dinheiro de forma eficiente?".

A fórmula do ROI

A fórmula do ROI

A fórmula base do ROI é uma das mais simples em finanças empresariais:

ROI = [(Ganho do investimento − Custo do investimento) ÷ Custo do investimento] × 100

O resultado é expresso em percentagem. Um ROI de 50% significa que, para cada 100 euros investidos, obtiveste 50 euros de retorno líquido. Um ROI de 200% significa que triplicaste o teu dinheiro.

Vamos a um exemplo concreto. Imagina que contratas uma agência de marketing digital por 2.000 euros por mês, durante três meses. Investimento total: 6.000 euros. Ao longo desses três meses, a agência gera leads que resultam em 15.000 euros em vendas que não teriam acontecido sem essa campanha.

O cálculo é o seguinte: [(15.000 − 6.000) ÷ 6.000] × 100 = 150%

O teu ROI foi de 150%. Para cada euro que investiste, recuperaste esse euro mais 1,50 euros de retorno. Um resultado sólido.

Agora imagina um cenário diferente: os mesmos 6.000 euros de investimento geraram apenas 5.000 euros em vendas. [(5.000 − 6.000) ÷ 6.000] × 100 = −16,7%

ROI negativo. Perdeste dinheiro com este investimento. A pergunta seguinte é obrigatória: vale a pena continuar?

O ROI não responde a essa pergunta por ti, mas dá-te a informação de que precisas para a responderes com clareza.

O que conta como "ganho" e o que conta como "custo"

Aqui é onde a maioria dos empresários se perde. A fórmula do ROI é simples, mas o que colocas dentro dela não é.

O custo do investimento deve incluir todos os custos direta e indiretamente associados. Se estás a calcular o ROI de uma campanha de marketing, não incluis apenas o valor pago à agência. Incluis também o tempo interno da tua equipa dedicado à campanha, os custos de produção de conteúdo, eventuais ferramentas ou plataformas pagas, e qualquer outro recurso consumido por esse projeto. Subestimar os custos é uma das formas mais comuns de inflar artificialmente o ROI.

O ganho do investimento é o que a situação ditou. Normalmente é o lucro gerado, não a receita. Se vendeste 15.000 euros mas a margem desses produtos é de 40%, o teu ganho real não são 15.000 euros — são 6.000 euros. O ROI calculado sobre receita bruta diz-te pouco. O ROI calculado sobre lucro diz-te tudo.

Há também ganhos que não são imediatos nem facilmente monetizáveis. Um investimento em formação de equipa pode não gerar receita no mês seguinte, mas reduz erros, melhora a retenção de colaboradores e aumenta a produtividade ao longo do tempo. Um investimento em tecnologia pode automatizar processos e libertar horas da tua equipa que passam a estar disponíveis para tarefas de maior valor. Estes ganhos são reais, mas exigem um pouco mais de trabalho para serem quantificados.

A boa prática é sempre tentar monetizar todos os ganhos possíveis, mesmo os indiretos, para teres um quadro o mais completo possível.

ROI vs. outras métricas financeiras

ROI vs. outras métricas financeiras

O ROI é poderoso, mas não existe em isolamento. Para gerires bem o teu negócio, precisas de entender como se relaciona com outras métricas financeiras fundamentais.

ROI e margem de lucro têm uma relação direta. A margem de lucro diz-te quanto de cada euro de vendas fica na empresa depois de pagos os custos. O ROI diz-te qual o retorno de um investimento específico. Um negócio pode ter uma margem de lucro saudável mas um ROI fraco num determinado investimento, o que significa que há capital a ser alocado de forma ineficiente.

ROI e KPI funcionam em conjunto. O ROI é, ele próprio, um dos indicadores-chave de desempenho mais universais que existem. Mas para calculares o ROI corretamente, precisas de outros KPIs que te forneçam os dados, tais como taxa de conversão, ticket médio, custo por aquisição, entre outros. São métricas que se alimentam mutuamente.

ROI e CAC/LTV têm uma relação especialmente importante no contexto de negócios com clientes recorrentes. O CAC e o LTV, ou seja, o custo de aquisição de cliente e o valor vitalício do cliente, são, na prática, uma forma específica de calcular o ROI do teu investimento em vendas e marketing. Um LTV muito superior ao CAC significa um ROI positivo da tua estratégia comercial. Um LTV igual ou inferior ao CAC significa que estás a perder dinheiro em cada cliente que conquistas.

ROI e CAPEX/OPEX determinam como analisas o retorno de diferentes tipos de investimento. Um equipamento adquirido (CAPEX) tem um cálculo de ROI diferente de uma subscrição de software (OPEX). Para perceber melhor esta distinção e como afeta a análise de retorno, vale a pena ler sobre a diferença entre CAPEX e OPEX.

Onde se aplica o ROI: os investimentos que todo o empresário tem de avaliar

O ROI pode e deve ser calculado em praticamente qualquer decisão de alocação de recursos. Há, no entanto, algumas áreas onde esta análise é especialmente crítica para empresários portugueses.

Marketing e publicidade são provavelmente a área onde o ROI é mais frequentemente discutido e mais frequentemente mal calculado. O problema é que muitos empresários medem apenas a receita diretamente atribuída a uma campanha e ignoram o impacto no reconhecimento de marca, na reativação de clientes antigos, ou no efeito de longo prazo. Isto leva a subvalorizar canais que funcionam de forma mais lenta mas mais sustentada, e a sobrevalorizar canais que geram resultados imediatos mas pouco duradouros.

Contratação e recursos humanos são frequentemente esquecidos quando se fala de ROI, mas deveriam ser centrais. Contratar uma pessoa custa dinheiro - salário, encargos sociais, onboarding, formação, equipamentos. A pergunta que poucos fazem é: qual o retorno esperado desta contratação? Quanto valor vai esta pessoa gerar para o negócio? Um comercial que custa 40.000 euros por ano e gera 200.000 euros em receita tem um ROI completamente diferente de um administrativo que liberta 10 horas semanais da tua agenda para te focares em crescimento.

Tecnologia e software são outra área onde o ROI é muitas vezes ignorado. Empresários assinam ferramentas porque ouviram falar delas num podcast ou porque um fornecedor fez uma boa apresentação. Raramente calculam o custo total (subscrição + implementação + formação + tempo da equipa) e confrontam-no com o benefício real (tempo poupado × custo horário da equipa, ou erros eliminados × custo de cada erro, ou oportunidades capturadas × valor de cada oportunidade).

Formação e desenvolvimento são talvez os investimentos com ROI mais difícil de medir e ao mesmo tempo os que têm maior impacto de longo prazo. Uma equipa mais formada comete menos erros, resolve problemas mais rapidamente, precisa de menos supervisão e produz trabalho de maior qualidade. Estes ganhos são reais, mas distribuem-se ao longo do tempo e não aparecem limpos numa folha de cálculo. O segredo é definir métricas de impacto antes da formação, tais como tempo médio de resolução de problemas, taxa de erros e satisfação do cliente, e medir a evolução depois.

Expansão e novos mercados são decisões com apostas altas onde o ROI deve ser calculado com rigor e honestidade. Abrir uma nova loja, entrar num novo mercado geográfico ou lançar um novo produto, cada uma destas decisões tem custos que vão muito além do óbvio. E o retorno esperado deve ser calculado de forma conservadora, com cenários pessimistas incluídos.

Parcerias e canais de distribuição são outra área frequentemente negligenciada. Um acordo com um revendedor ou distribuidor tem custos, como comissões, suporte, formação, recursos dedicados, e tem retornos que devem ser medidos com rigor. Uma parceria que parece "gratuita" porque não implica pagamento direto pode na verdade ter um custo de oportunidade elevado se consumir tempo e recursos que poderiam estar focados noutros canais mais rentáveis.

Como calcular o ROI passo a passo

Como calcular o ROI passo a passo

Calcular o ROI corretamente não é complicado, mas exige método. Aqui está o processo que recomendo para qualquer investimento relevante.

O primeiro passo é definir claramente o investimento que estás a avaliar. Parece óbvio, mas muitos empresários falham aqui por falta de clareza. Se estás a avaliar uma campanha de marketing digital, o investimento inclui tudo: agência, produção de criativos, orçamento de meios, ferramentas de análise, e o tempo interno da tua equipa. Se estás a avaliar uma nova contratação, inclui salário, encargos sociais, equipamentos, formação inicial, e o tempo que tu e outros colaboradores vão dedicar ao onboarding.

O segundo passo é estabelecer um horizonte temporal. O ROI é sempre calculado em relação a um período. Um investimento em publicidade pode ser avaliado ao fim de 30 dias; um investimento em equipamento industrial pode precisar de 3 a 5 anos para mostrar o retorno completo. Definir o horizonte antes de calculares evita que compares investimentos de forma injusta.

O terceiro passo é identificar todos os ganhos gerados pelo investimento dentro desse horizonte. Aqui incluis receita adicional diretamente atribuível, poupanças de custo, tempo poupado (convertido em valor monetário), e ganhos indiretos quantificáveis. Sê conservador nos ganhos e generoso nos custos — é mais fácil ser negativamente surpreendido por um ROI melhor do que o esperado do que positivamente surpreendido por um que afinal não existia.

O quarto passo é aplicar a fórmula: [(ganhos − custos) ÷ custos] × 100. E interpretar o resultado com contexto.

Como interpretar o ROI: o que é bom, o que é mau e o que é relativo

Um ROI positivo é bom? Em termos absolutos, sim. Mas a análise não pode ficar por aqui.

Um ROI de 10% num investimento de baixo risco e curto prazo pode ser excelente. Um ROI de 10% num investimento de alto risco que imobiliza capital durante três anos pode ser insuficiente, especialmente se houver alternativas com ROI superior e risco menor.

Há três ângulos a considerar quando interpretas um ROI.

O primeiro é a comparação com alternativas. Se tens 50.000 euros disponíveis para investir, o ROI de cada opção deve ser comparado entre si. Investir em marketing com ROI esperado de 80% é mais atrativo do que investir em equipamento com ROI esperado de 20%, a menos que o equipamento seja necessário para operar e o marketing seja opcional.

O segundo é o prazo de retorno. Um ROI de 200% ao longo de 5 anos pode ser menos interessante do que um ROI de 80% ao longo de 6 meses, dependendo das necessidades de liquidez do negócio. O dinheiro que recuperas mais cedo pode ser reinvestido mais cedo, criando um efeito composto que um ROI aparentemente superior mas mais lento não consegue replicar.

O terceiro é o risco associado. ROI esperado e ROI real raramente são iguais. Um investimento com ROI esperado de 150% mas alta incerteza pode ter menos valor do que um investimento com ROI esperado de 60% mas alta previsibilidade. O risco deve entrar na equação, seja através de cenários múltiplos, seja através de um ajustamento explícito ao ROI esperado.

Como referência geral para PME portuguesas: um ROI abaixo de 0% é mau (perdeste dinheiro), entre 0% e 20% é fraco (vale a pena questionar se existem alternativas melhores), entre 20% e 100% é razoável a bom (dependendo do setor e do prazo), acima de 100% é excelente (e deve levar-te a perguntar se podes escalar o investimento).

Estes números são orientações, não regras absolutas. Setores diferentes têm benchmarks diferentes. Uma empresa de software pode esperar ROIs de marketing digital acima de 200% porque o custo marginal de cada cliente novo é baixo e o LTV é alto. Uma empresa de construção civil pode considerar um ROI de 30% num equipamento como muito satisfatório, dado o volume de capital envolvido e o horizonte temporal. O que importa é conheceres os benchmarks do teu setor e usá-los como referência, não os ignorares por completo nem os sigas cegamente sem contexto.

Os erros mais comuns no cálculo do ROI

Conhecer a fórmula não chega. Há erros sistemáticos que distorcem a análise e levam a decisões erradas.

Incluir apenas custos diretos é o erro mais frequente. Um empresário calcula o custo de uma campanha de marketing como sendo o valor pago à agência. Esquece-se das horas que ele próprio e a sua equipa dedicaram a briefings, aprovações e reuniões. Esquece-se do custo das ferramentas usadas. Esquece-se do tempo dedicado a analisar resultados. O custo real é sempre superior ao custo visível.

Confundir receita com ganho é igualmente comum. Se uma campanha gera 30.000 euros em vendas mas a margem desses produtos é de 30%, o ganho real é 9.000 euros, não 30.000 euros. Calcular o ROI sobre receita bruta em vez de margem de contribuição ou lucro líquido cria uma ilusão de rentabilidade que não existe.

Ignorar o custo de oportunidade é um erro mais subtil mas igualmente importante. Quando alocas capital e tempo a um investimento, estás implicitamente a abdicar de outros investimentos que poderias ter feito. O ROI de um investimento deve ser sempre comparado com o ROI alternativo, ou seja, o que terias ganho se tivesses feito outra coisa com esses recursos.

Não separar o impacto do investimento de outros fatores é um problema que afeta especialmente o marketing. Uma empresa lança uma campanha de publicidade e ao mesmo tempo contrata um novo comercial. As vendas crescem. Qual a parte atribuível à campanha e qual a parte atribuível ao comercial? Sem uma atribuição clara, o ROI de qualquer um dos dois investimentos fica contaminado.

Avaliar o ROI demasiado cedo é outro erro frequente. Um investimento em conteúdo digital, por exemplo, tem um horizonte de retorno de meses ou anos, não de semanas. Avaliar o ROI ao fim de 30 dias e concluir que "não funciona" é uma decisão baseada em dados prematuros.

ROI como ferramenta de gestão: além do cálculo pontual

O maior valor do ROI não está no cálculo pontual. Está na cultura de análise de retorno que o seu uso sistemático cria numa empresa.

Quando começas a calcular o ROI dos teus investimentos de forma regular, acontecem várias coisas. Primeiro, passas a questionar cada investimento antes de o fazer, o que só por si elimina muitas despesas que não deveriam existir. Segundo, crias um histórico de dados que te permite comparar o desempenho de diferentes tipos de investimento ao longo do tempo. Terceiro, começas a identificar padrões, o marketing digital tem consistentemente melhor ROI do que os eventos do setor? A formação interna tem melhor ROI do que a contratação externa? Estes padrões são ouro para a gestão estratégica.

Há empresários que aplicam o ROI de forma ainda mais proativa: antes de aprovarem qualquer investimento acima de um determinado valor, exigem uma projeção de ROI, com assunções explícitas, cenários múltiplos, e um compromisso de medição posterior. Esta prática não elimina o risco de maus investimentos, mas reduz drasticamente a frequência com que acontecem.

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ROI em diferentes contextos de negócio

A forma como calculas e interpretas o ROI varia consoante o tipo de negócio e o tipo de investimento.

Num negócio de serviços com margens altas, o ROI de um investimento em marketing pode ser espetacular porque cada cliente novo tem um valor muito superior ao custo de o adquirir. Num negócio de produto com margens apertadas, o mesmo investimento pode ter um ROI muito mais modesto porque a margem por venda é pequena e o volume necessário para cobrir o investimento é alto.

Num negócio B2B com ciclos de venda longos, o ROI de uma campanha de marketing pode levar 6 a 12 meses a materializar-se, tempo necessário para os leads qualificados percorrerem o funil comercial. Avaliar esse ROI ao fim de 60 dias é um erro.

Num negócio com receita recorrente (subscrições, contratos de manutenção, retenções, etc.), o ROI de cada cliente conquistado deve incorporar o LTV, o valor que esse cliente vai gerar ao longo de toda a relação, não apenas na primeira transação. Um cliente com um LTV de 5.000 euros justifica um CAC significativamente superior ao de um cliente de transação única.

Num negócio sazonal, o timing do investimento afeta o ROI de forma dramática. Investir em publicidade três meses antes da época alta pode ter um ROI completamente diferente do mesmo investimento feito fora de época.

Quando o ROI não é suficiente: os limites da métrica

O ROI é uma ferramenta poderosa, mas tem limites que é importante reconhecer.

O ROI não mede impactos intangíveis de forma direta. A reputação da marca, a satisfação da equipa, a cultura organizacional, a posição competitiva - todos estes têm valor real, mas são difíceis de quantificar e portanto difíceis de incluir num cálculo de ROI. Isso não significa que devam ser ignorados, significa que o ROI deve ser complementado com outras formas de avaliação.

O ROI não captura risco de forma explícita. Um investimento com ROI esperado de 100% mas alta probabilidade de falhar pode ser menos valioso do que um com ROI esperado de 40% mas praticamente garantido. Para incorporar risco, podes calcular ROI em múltiplos cenários (otimista, base, pessimista) e pesar cada um pela sua probabilidade.

O ROI não tem em conta o impacto temporal do dinheiro. Um euro hoje vale mais do que um euro daqui a dois anos, porque o euro de hoje pode ser investido e gerar retorno entretanto. Para investimentos de longo prazo, ferramentas como o VPL (Valor Presente Líquido) ou a TIR (Taxa Interna de Rentabilidade) complementam o ROI de forma útil.

E finalmente, o ROI só é tão bom quanto os dados que usas para o calcular. ROI baseado em estimativas generosas e custos subvalorizados não é análise, é pensamento positivo com matemática por cima.

Implementar o ROI no dia a dia da tua empresa

A teoria está assimilada. Como passar à prática?

O primeiro passo é criar um processo de pré-avaliação para investimentos significativos. Define um limiar, pode ser 500 euros, pode ser 2.000 euros, acima do qual qualquer investimento requer um cálculo de ROI projetado antes de ser aprovado. Este processo não precisa de ser elaborado: uma folha de cálculo simples com custos estimados, ganhos esperados em diferentes cenários, e horizonte temporal é suficiente para a maioria das decisões.

O segundo passo é medir o ROI real depois. A projeção sem medição cria uma falsa sensação de rigor. Ao fim do período definido, volta ao investimento e calcula o ROI efetivo. Compara-o com o projetado. Aprende com os desvios.

O terceiro passo é criar um registo histórico. Uma tabela simples com investimento, custo, ganho, ROI projetado, e ROI real, atualizada trimestralmente, transforma-se rapidamente numa ferramenta de aprendizagem valiosa. Após um ano, consegues ver claramente quais as categorias de investimento que consistentemente entregam bom ROI e quais que consistentemente decepcionam.

O quarto passo é partilhar esta cultura com a tua equipa. Quando os colaboradores entendem que cada decisão de gasto tem um critério de retorno associado, a forma como propõem e avaliam iniciativas muda. Passam a questionar "qual o ROI disto?" antes de pedir aprovação, o que é exatamente o comportamento que queres numa equipa orientada a resultados.

Acompanhar o retorno é acompanhar o futuro

O ROI não é uma métrica de contabilistas. É uma métrica de líderes.

É a ferramenta que distingue os empresários que reagem ao que já aconteceu dos que antecipam o que vai acontecer. Que distinge os que gerem pelo instinto dos que gerem pela evidência. Que distinge os que sobrevivem dos que crescem de forma sustentada.

Conclusão

Conclusão

Todo o investimento que fazes no teu negócio é uma aposta. O ROI não elimina o risco dessa aposta, nenhuma métrica o faz. Mas permite que faças apostas mais informadas, com probabilidades melhor calculadas e com a humildade de perceber quando uma aposta está a correr mal antes de perderes tudo o que apostaste. Começa simples: escolhe os três investimentos mais relevantes que fizeste nos últimos seis meses e calcula o ROI real de cada um. O exercício em si vai revelar mais sobre a saúde financeira do teu negócio do que muitos relatórios elaborados. E vai mostrar-te exatamente onde deves investir mais e onde deves parar de desperdiçar dinheiro.

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